09 de julho de 2026
Geral

Vereador quer fiscalização periódica de caixas d’água

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

O vereador José Eduardo Fernandes Ávila (PP) apresentou um projeto de lei que determina a obrigatoriedade da limpeza e desinfecção das caixas d’água de estabelecimentos públicos a cada seis meses.

Ele defende a proposta como maneira de garantir a higiene desses locais. “Tenho certeza que há estabelecimentos em Bauru que nunca fizeram esse serviço”, afirma Ávila.

Se aprovado, o projeto abrangerá hospitais, laboratórios, farmácias de manipulação, escolas públicas e particulares, creches, bares, lanchonetes e restaurantes, indústrias alimentícias, frigoríficos, panificadoras e prédios públicos.

Segundo o vereador, a situação é preocupante. “A água é o primeiro bem quando se fala em limpeza. Também vivemos em uma época em que a dengue é um caso sério.”

Ele se refere ao fato do mosquito transmissor da doença procriar-se em água parada. Ávila acha que o projeto terá boa aceitação entre os vereadores. “Ele vai passar pelas comissões e eu acredito que possa ser votado dentro de 30 dias.”

Pela proposta, os estabelecimentos terão que apresentar, junto com o alvará, um laudo técnico comprovando a limpeza das caixas d’água.

A proprietária de uma panificadora de Bauru, Leonice Gasparotto, defende a medida. “A higiene é primordial. Temos que ter cautela porque lidamos com o público.”

Ela afirma que o investimento vale à pena. “Fazer a limpeza a cada seis meses não encarece tanto e, além disso, saúde não tem preço.”

Gasparotto diz que a caixa d’água da panificadora foi vistoriada recentemente. “A fiscalização está mais rigorosa, até em função da dengue.”

A proprietária de uma franquia de restaurante fast-food, Iara Mitiko, também é a favor da medida. “A limpeza tem que ser feita mesmo. Nós já fazemos esse trabalho semestral.”

Parceria

A diretora de departamento da Secretaria Municipal da Educação, Solange Reis, conta que a limpeza das caixas d’água das 50 escolas municipais é feita graças a uma parceria com o Departamento de Água e Esgoto (DAE).

Ela diz que o serviço é anual, mas pode ser feito mais vezes caso a escola faça um pedido. “Se o diretor verifica qualquer problema ou faz a troca da tampa da caixa d’água, ele nos comunica e nós antecipamos a visita.”

A assessoria de imprensa do DAE confirma que o órgão faz a limpeza, mas que cobra pelo trabalho e, em função da Lei de Responsabilidade Fiscal, encaminha os gastos para a prefeitura.

Ainda segundo a assessoria, é preciso conhecer melhor o projeto de lei para saber que mudanças precisariam ser feitas para continuar prestando esse atendimento.

O dirigente regional de ensino, Jair Sanches Vieira, responsável pelas 59 escolas estaduais de Bauru, defende a proposta do vereador José Eduardo Ávila, mas faz uma ressalva. “Junto com a lei deveria ser aprovado um serviço de limpeza gratuito para as repartições públicas.”

Vieira diz que as caixas d’água das escolas passam por duas limpezas ao longo do ano. “Aproveitamos para fazer o serviço nos recessos de janeiro e julho. Utilizamos a verba para a manutenção dos prédios para contratar prestadores de serviço da própria comunidade.”

Já o proprietário de uma empresa que trabalha com a limpeza de caixas d’água, Mário Strazzi Cotting, acredita que o maior problema é a conscientização. Ele tem dúvidas sobre a eficácia do projeto. “Vai depender da fiscalização.”

Cotting realiza o serviço em cerca de 20 reservatórios por mês. “Desse total, 90% pertencem a prédios ou indústrias.”