Com o aumento da expectativa de vida verificada nos últimos anos, cresce a incidência das doenças neurodegenerativas, como o Mal de Parkinson, segundo o neurologista Rodrigo Barbosa Tomáz. Especialista em Mal de Parkinson, ele diz que a doença afeta idosos, independente do sexo.
“A degeneração das células com o avanço da idade é uma situação normal. Quando ela é exacerbada nessa região, aparece a doença. O Mal de Parkinson não é hereditário e não temos tratamento preventivo”, explica. O Mal de Parkinson é a degeneração intensa de uma região do cérebro relacionada aos impulsos nervosos que controlam os movimentos.
Tomáz ressalta que quanto mais cedo a doença for detectada, mais fácil será o tratamento. “O tratamento é clínico. Os medicamentos oferecem a topamina, que é a substância que está em falta no organismo. O tratamento não interrompe a doença, mas melhora a qualidade de vida do portador”, explica.
O neurologista lembra que cientistas desenvolvem várias pesquisas para tentar a cura. “Pesquisa-se sobre a implantação das células, mas ainda está no campo de estudos. O tratamento clínico ainda é o único disponível para os portadores da doença”, diz.
Ele alerta para os primeiros sintomas. “O Parkinson aparece geralmente após os 70 anos. É uma doença crônica e os primeiros sintomas são lentidão dos movimentos, tremores nas extremidades, especialmente nas mãos, diminuição na expressão facial e desequilíbrio da marcha”, conta.
Ele orienta a pessoa a procurar um médico assim que surgir algum dos sintomas. Anteontem, integrantes do Núcleo Bauru Parkinson (NBP) e voluntários iniciaram a 1.ª Semana do Parkinson em Bauru, no supermercado Pão de Açúcar do Jardim Estoril. O objetivo é esclarecer a população sobre a doença, os tratamentos disponíveis para melhora da qualidade de vida.
Sheila Mello, do Núcleo Bauru Parkinson, diz que no primeiro dia de divulgação ficou surpresa com o número de pessoas que têm casos da doença na família. “A maioria das pessoas que são abordadas tem um caso na família ou conhece alguém que sofre com o problema”, relata.
De acordo com ela, essas pessoas estão recebendo orientações precisas sobre a doença e sobre o trabalho do núcleo. “Nesses dois anos e meio de existência o núcleo tem proporcionado inúmeros eventos aos parkinsonianos e seus cuidadores. São palestras e debates com especialistas da área”, conta.
Luciana Gonçalves, voluntária do núcleo, explica que uma das expectativas da 1ª Semana do Parkinson é conhecer o número de pessoas de Bauru e região portadores da doença.
No primeiro dia de divulgação, a voluntária deparou-se com outra situação que demonstra o preconceito da população. Muitas pessoas se recusam a pegar o folder e conhecer os sintomas da doença. Elas temem ser portadora de algum sintoma que remeta à doença.