09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Preços podem cair 10% com dólar baixo

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

As sucessivas quedas do dólar - que ontem fechou cotado a R$ 3,185 - devem ter como um dos principais reflexos ao consumidor a diminuição em torno de até 10% nos preços de alguns produtos com cotação internacional. Entre eles, a farinha de trigo e derivados, carnes e derivados de soja, com destaque para o óleo. A estimativa é da Bolsa de Gêneros Alimentícios.

A previsão é compartilhada pelo professor e economista Reinaldo Cafeo, que destaca que o dólar “baixo” é muito positivo para o mercado interno. Segundo ele, os principais reflexos da queda em produtos cotados em dólar devem ser verificados entre os meses de maio e junho.

O gerente de compras de uma rede supermercadista de Bauru, Pedro Sérgio Baptista, não arrisca se aprofundar em percentuais. Contudo, ele confirma o cenário de otimismo e afirma que já nos próximos dias o consumidor poderá receber, na prática, a boa notícia de preços mais baixos para alguns produtos.

“As previsões são bastante otimistas, porque existem muitos produtos que são cotados em dólar e comprados em dólar. A situação já está se acomodando. Nos últimos dias, por exemplo, já percebemos uma redução nas tabelas de preços de fornecedores e importadores de peixes em geral e de bacalhau”, conta Baptista.

Apesar de não citar valores, o gerente concorda com a previsão de queda de preços em torno de 10% feita pela Bolsa de Gêneros Alimentícios. Farinha de trigo e derivados, carnes e os derivados de soja estão entre os principais alvos.

O comprador de outra empresa supermercadista, Marcos Renato Lourenção, também cita prováveis queda de preços em alguns itens. Contudo, não acredita que os reflexos ao consumidor sejam significativos.

“Os supermercados já vêm absorvendo há bastante tempo as altas de vários produtos. Por isso, não acredito que muita coisa mude em termos de preço final. Mas a farinha de trigo e os derivados de soja, por exemplo, devem ter queda, sim”, observa.

Pãozinho

O proprietário de uma panificadora e padaria da cidade, Alexandre Módolo, diz que o preço do pão francês não deve sofrer redução, mesmo com as previsões de queda no valor da farinha de trigo - sua principal matéria-prima.

Para ele, só seria possível uma mudança se as quedas previstas em decorrência do dólar baixo ficassem em torno de 20% a 25%.

“Nos períodos mais críticos de aumento de preços da farinha de trigo, do ovo e do fermento as padarias procuraram absorver o possível desses impactos para não ter que aumentar muito o valor de venda ao consumidor. Então, se agora forem verificadas quedas de preço em torno de 10% na farinha e derivados, como se prevê, não vai aliviar nada para o nosso setor”, assinala Módolo.

De acordo com ele, em fevereiro do ano passado um pacote de 25 quilos de farinha de trigo custava R$ 19,80. Desde dezembro último, o mesmo produto passou a custar R$ 31,00 - alta de 56%.

“Eu gostaria que nós pudéssemos baixar o preço do pãozinho. Mas em função das constantes altas de produtos básicos para a nossa atividade, no momento não vejo essa possibilidade”, avalia o comerciante. Atualmente, os preços do pão francês na cidade giram em torno de R$ 0,15 a R$ 0,22.

César Prando, proprietário de uma loja que vende produtos importados, está comemorando a queda do dólar. Segundo ele, o atual cenário econômico deve possibilitar a normalização de seu volume de vendas.

“Não posso dizer que vou conseguir recuperar as perdas que já tive nos tempos de dólar muito alto, mas a partir de agora meu público-alvo (classe média) passa a ter condições de voltar a consumir. Acredito que terei uma Páscoa melhor do que estava imaginando, porque os preços do bacalhau, por exemplo, já estão caindo”, diz o comerciante.