10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Queda é ótima para mercado interno, diz economista

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 2 min

De acordo com o professor e economista Reinaldo Cafeo, entre os principais reflexos positivos da queda do dólar estão a tranqüilidade emocional e, em termos práticos, as quedas de preços em uma série de produtos - inclusive da cesta básica. “Para o mercado interno, o dólar baixo é extremamente positivo”, destaca.

Ao fazer essa afirmação, o economista também analisa positivamente as exportações. Muito tem se falado que o dólar em patamares mais altos estimulou demais as vendas ao mercado externo. Isso pode ser confirmado através dos últimos e sucessivos superávits registrados pela balança comercial.

Contudo, ter o dólar em patamares de R$ 3,10 a R$ 3,30 - considerada a faixa ideal pelo economista - não prejudica as exportações, segundo ele.

“Só seria preocupante se a cotação caísse abaixo de R$ 3,10. No nível em que as coisas estão agora, a confiança que investidores externos voltaram a ter no País não dá margens a um cenário negativo nas nossas vendas para o mercado exterior. Aliás, pelo contrário”, avalia Cafeo.

De acordo com ele, o que está sendo provado na prática no atual cenário econômico brasileiro é uma avaliação que muitos economistas fizeram no final do ano passado - mais especificamente a partir de setembro - e início de 2003, quando havia o “medo generalizado” de que a cotação ultrapassasse a barreira dos R$ 4,00 e das atitudes do novo governo.

“Está sendo provado que não havia motivo real para tanta insegurança na condução política e econômica brasileira. Bastou esta variável sair de cena que as coisas se acalmaram, levando em consideração o bom fluxo financeiro internacional, o acordo com o FMI, o bom desempenho da balança comercial, entre outros fatores”, afirma.

Segundo Cafeo, o dólar baixo possibilita uma redução na taxa de juros, ajuda a reduzir custos industriais e abre espaço para a queda da inflação.

Por outro lado, se cair demais e prejudicar as exportações, isso influenciará nos resultados da balança comercial, que por sua vez, tem relação direta com a produção nacional. Por isso, estaríamos dentro do patamar “ideal”, já que tanto as altas quanto as quedas acentuadas são maléficas à economia brasileira, segundo o economista.