09 de julho de 2026
Guerra no Iraque 2003

EUA repelem contra-ataque em Bagd

Agência Folha
| Tempo de leitura: 3 min

Bagdá - Forças norte-americanas repeliram ontem um contra-ataque iraquiano em Bagdá, ao mesmo tempo em que tomaram uma base aérea na cidade e bombardearam prédios do governo iraquiano e instalações civis.

A 3.ª Divisão de Infantaria dos EUA estabeleceu uma base de operações dentro do Palácio da República, complexo do presidente Saddam Hussein tomado anteontem, e montou barreiras nas pontes próximas que cortam o rio Tigre para impedir o avanço dos soldados do Iraque.

As tropas leais a Saddam chegaram em ônibus e caminhões e usaram seus rifles e lança-granadas para atacar os americanos - segundo a agência Associated Press, eram cerca de 500 homens, entre integrantes da Guarda Republicana, do partido Baath e fedayins. Franco-atiradores, posicionados em telhados de prédios do centro, também atiraram contra soldados dos EUA.

Os americanos responderam com disparos por terra - de seus tanques Abrams - e por ar - com caças-bombardeiros. Segundo o comando militar dos EUA, ao menos 50 soldados iraquianos teriam morrido na reação ao contra-ataque. A reação iraquiana também provocou a derrubada de um avião dos EUA, a aeronave de ataque A-10. Foi a primeira vez desde o início da invasão no Iraque que um míssil terra-ar provocou a queda de um avião americano.

O piloto sobreviveu, disseram os EUA. Tropas dos dois países também entraram em confronto na região sudeste da capital, pelo controle da base aérea Al Rashid. Fuzileiros navais enfrentaram membros da Guarda Republicana reforçados, segundo o comando central americano, por combatentes sudaneses, jordanianos e egípcios.

Nessa ação, os marines disseram ter encontrado munição para cerca de 3 mil homens, além de uniformes do Exército americano ensanguentados, que seriam de prisioneiros de guerra. Os EUA já controlavam o principal aeroporto de Bagdá, 20 quilômetros a sudoeste do centro. É a maior base das forças invasoras na capital, com cerca de 6 mil homens.

Em operação para assumir o controle de prédios do governo ainda sob controle iraquiano, aviões dos EUA bombardearam o Ministério do Planejamento, o Ministério da Informação e a sede do partido Baath. A ofensiva contou com apoio terrestre de tanques. Foi nessa ofensiva que o hotel Palestine, base da imprensa internacional em Bagdá foi atingido.

Dois jornalistas foram mortos no incidente, que, segundo os EUA, foi uma reação a disparos vindos do hotel. Correspondentes das agências de notícias que estavam no local no momento do ataque negaram a existência desses disparos.

Esse pode ter sido o segundo ataque equivocado das forças dos EUA em menos de 24 horas. O outro seria o bombardeio, na madrugada de ontem, para atingir o local onde estaria escondido Saddam Hussein ou outros líderes iraquianos. Repórteres no bairro residencial atingido disseram haver apenas civis entre os mortos.

O comando militar americano afirmou não saber dizer se o presidente foi morto ou não no ataque. “Tivemos informações confiáveis de que ocorria um encontro da liderança do regime naquela região”, argumentou o general Vincent Brooks, no Catar.

Mantendo o discurso dos últimos dias, Victoria Clarke, porta-voz do Pentágono, declarou que o regime de Saddam “já é história”, mesmo que o presidente esteja vivo.

Pelo norte Forças americanas começaram a entrar ontem em Bagdá para tentar, segundo o comando militar, impedir a fuga de comandantes iraquianos. Essa região da cidade esteve intensamente movimentada nos últimos dois dias. Ônibus, caminhões e picapes congestionaram as principais rotas de saída da cidade, levando iraquianos que ainda tentavam fugir da zona de confronto.