08 de julho de 2026
Bairros

Usuários murcham pneus de ônibus

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Moradores do Parque Santa Cândida murcharam pneus de dois ônibus coletivos ontem à tarde durante um protesto contra a mudança nos itinerário e linhas que entrará em vigor no próximo sábado. Eles reclamam das alterações que a linha Parque Santa Cândida/Vila Leme sofrerá, apesar de ter obtido garantia da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) de que a linha não será extinta.

O protesto reuniu cerca de 100 pessoas, segundo a Polícia Militar, e durou por volta de uma hora. Os manifestantes impediram a passagem de dois ônibus que acabaram tendo os pneus murchados. As empresas de ônibus tiveram que deslocar um mecânico para o bairro, para consertar os pneus.

Mesmo assim, os dois ônibus passaram a circular com atraso. A empregada doméstica Isabel Teodoro Martins, que mora no Parque Santa Cândida, conta que ela e outras colegas de profissão usam a linha Vila Leme, que vai até o Jardim Estoril, para trabalhar. “Disseram que vão retirar essa linha que pegamos para trabalhar. Querem que a gente vá até a Vila Dutra para pegar o ônibus que sairá de lá”, diz.

Ontem, Waldomiro Fantini Júnior, diretor da Divisão de Transportes da Emdurb, reuniu-se com um grupo de moradores do Parque Santa Cândida para discutir as mudanças. “Além da manutenção da linha Sta. Cândida – USC, apresentamos a proposta da inclusão de um carro extra nos horários de pico (manhã, almoço e final de tarde), saindo do bairro e se deslocando até a Vila Leme, passando pela rua Bernardino de Campos e pelo centro da cidade”, diz.

Mas Cristiane Regiane de Souza, que mora no Núcleo Leão XIII, bairro ao lado do Parque Santa Cândida, acha que a proposta não é suficiente. “Os horários dos ônibus não batem com os nossos. Quem trabalha na região do Estoril e sair depois das 6 da tarde não terá como voltar para casa”, reclama.

A secretária Renata Paula de Oliveira, que mora no Núcleo Leão XIII e trabalha na avenida Duque de Caxias, também reclama da mudança na linha Parque Santa Cândida/Vila Leme. “Posso pegar a linha Santa Cândida/USC, mas fica fora de mão. Vou ter que descer na Rodrigues e subir até a Duque a pé”, diz ela.

Outra opção é pegar outro ônibus na Rodrigues Alves, mas Renata explica que não teria dinheiro. “Recebo dois passes por dia e sei que posso perder o emprego se precisar de quatro. Também não dá para pagar do bolso porque aí vai o salário”, explica.

Moradores do Parque Santa Terezinha, Vila Maria, Jardim Gaivota, Parque Santa Edwirges e Jardim Europa também reuniram-se com a diretoria da Emdurb para discutir as mudanças nos ônibus ontem.

Segundo Fantini Júnior, a exemplo das reuniões de segunda-feira, a Emdurb ouviu as reivindicações dos moradores e os técnicos da empresa apresentaram os motivos das mudanças no sistema de transporte coletivo em Bauru. “Todas as reivindicações apresentadas estão sendo analisadas pelo setor técnico da Emdurb”, diz ele.

O problema apontado por moradores do Parque Santa Edwirges, que era de acesso à Vila Falcão, foi resolvido na reunião de ontem. “Conversamos com o pessoal da Emdurb e ficou decidido que dois ônibus que saem do Roosevelt vão passar pelo Santa Edwirges e ir para o Centro pela Falcão, o que resolve o nosso problema”, diz Vivaldo Pereira Martins, presidente da associação de moradores do bairro.

Redentor

Um grupo de moradores da região do Jardim Redentor também fez protesto contra as mudanças nos ônibus ontem à tarde. Com cartazes, reunidos na Praça Alberico Pasquarelli, eles pediram a manutenção das linhas José Regino/Vila Maria, Jardim Redentor/Contry-Centro e Jardim Cruzeiro do Sul/Centro.

Mathias Muniz, presidente da Associação de Moradores do Jardim Carolina, reclama que muitos moradores da região que estudam na Instituição Toledo de Ensino (ITE) vão ter que pagar dois ônibus se a mudança for mantida. “E ninguém tem condições de pagar mais”, diz.

A empregada doméstica Lourdes Tavares, que mora no Núcleo José Regino e trabalha no Jardim Cruzeiro do Sul, também está preocupada com a redução de ônibus. “Eu pego o ônibus que passa pela avenida Cruzeiro do Sul para ir trabalhar. Se mudarem mesmo, vou ter que andar da Rodrigues Alves até meu emprego ou descer e pegar um outro ônibus”, diz.