Washington - Com tropas e tanques circulando livremente por Bagdá em menos de três semanas desde o início da guerra contra o Iraque, autoridades americanas exaltaram ontem o seu poderio militar e lançaram ameaças contra outros países acusados de desafiar os EUA.
“Ao remover o regime do Iraque, enviamos uma mensagem clara a todos os que usam a violência e espalham o terror contra pessoas inocentes. Os EUA e a nossa coalizão mostraram que temos a capacidade e a vontade de vencer a guerra contra o terror”, afirmou o vice-presidente norte-americano, Dick Cheney.
O vice-presidente foi mais longe. Disse que, para proteger os Estados Unidos e defender a civilização, os norte-americanos não podem contar apenas com políticas de contenção. “Para combater perigos sem precedentes representados por Estados irresponsáveis que detêm armas de destruição em massa, os EUA vêm adotando ações urgentes e sem precedentes”, disse Cheney.
“Jogar na defensiva não é o suficiente. Temos de ir atrás deles. Terroristas gostam de se esconder por trás de Estados fora-da-lei”. O vice-presidente qualificou a guerra contra o Iraque como “a campanha mais extraordinária” que os EUA já conduziram.
Na Casa Branca, questionado se outros países podem receber tratamento semelhante ao Iraque, o porta-voz do presidente George W. Bush, Ari Fleischer, afirmou: “Se sanções das Nações Unidas, como no caso do Iraque, não são cumpridas, os (países) que têm um comportamento errado devem ser contidos’’. Até as 20h (de Brasília) de ontem, Bush não havia se pronunciado pessoalmente sobre a tomada de Bagdá.
Pouco antes, Fleischer anunciou, sem ser questionado, que os EUA e a Coréia do Sul devem realizar um encontro de cúpula no próximo dia 14 de maio para discutir, entre outras coisas, “o problema da Coréia do Norte”.
A Coréia do Norte, como o Irã e o Iraque, foi incluída no chamado “Eixo do Mal” por Bush. Questionado se, além do Iraque, haveria outros países como potenciais alvos da força militar americana, o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, disse que não tinha “nada para anunciar. Ainda estamos lidando com o Iraque”. Cheney e Rumsfeld, assim como o secretário-adjunto da Defesa dos EUA, Paul Wolfovitz, são conhecidos como os principais “falcões’’ da administração Bush.
Além de defensores de uma política de ataques preventivos, como a que foi usada contra o Iraque, sustentam que os EUA têm um papel civilizador e a responsabilidade de disseminar a democracia pelo mundo. A euforia americana repercutiu também no Congresso.
O senador republicano John McCain afirmou que os EUA devem estar orgulhosos de sua liderança, sua tecnologia e seus militares. Ontem, um dia depois de Bush ter afirmado que as Nações Unidas terão um papel vital no Iraque pós-guerra, Cheney afirmou que o papel-chave na reconstrução e na criação de um novo governo no país deve estar concentrado nos Estados Unidos.
“Não acreditamos que a ONU esteja preparada para assumir um papel central”, disse. Fleischer afirmou que Bush ainda não considera a guerra terminada.