09 de julho de 2026
Guerra no Iraque 2003

EUA ignoram o destino de Saddam

Agência Folha
| Tempo de leitura: 3 min

Bagdá - Os americanos praticamente assumiram o controle de Bagdá e iraquianos dançavam e comemoravam nas ruas o provável fim do regime de Saddam Hussein. No entanto, uma questão persiste: Onde está o presidente? Há vários rumores sobre o paradeiro de Saddam.

Ele pode ter sido morto no ataque aéreo contra um restaurante em Bagdá anteontem; pode estar refugiado na Embaixada da Rússia ou ter partido em direção ao Norte do Iraque. Além dessas três possibilidades, existem muitas outras. O destino dos filhos de Saddam e de seus principais aliados também é desconhecido.

Até mesmo o ministro da Informação, Mohammed Said al Sahaf, que até anteontem concedia entrevistas todos os dias para defender Saddam e servia como porta-voz do regime, não apareceu ontem. Os EUA afirmam que membros da família de Saddam e autoridades do regime podem ter ido para a Síria.

Importantes aliados de Saddam, como o vice-premiê, Tariq Aziz, o vice-presidente, Taha Yassin Ramadhan, e o chanceler, Naji Sabri, não aparecem desde o início da guerra. O primo de Saddam Ali Hassan al Majid, o “Ali Químico”, teria sido morto em ataques britânicos em Basra, no Sul do Iraque.

O prédio onde funcionava o restaurante contra o qual foi disparado um míssil tornou-se ontem um buraco. Várias análises de inteligência indicam que Saddam estava no prédio pouco antes dos bombardeios americanos, segundo autoridades dos EUA. Membros dos serviços de inteligência americanos afirmam haver sólidas informações de que Saddam entrou no local.

A base é uma fonte de alta credibilidade dentro do círculo de Saddam, segundo autoridades americanas. Essas autoridades, que não se identificaram, disseram que ainda não é possível dizer que Saddam morreu, mas é provável.

A possibilidade de que Saddam esteja refugiado na Embaixada da Rússia em Bagdá surgiu de declarações do presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri.

Eles fez suposições com base no retorno do embaixador russo no Iraque, Vladimir Totorenko, para Bagdá após o comboio de carros ter sido atingido por disparos dos EUA quando seguia em direção à Síria.

Um instituto de análise estratégica da Turquia, denominado Sesar, também afirma ter fortes indícios de que Saddam realmente estaria abrigado na Embaixada da Rússia em Bagdá. Ontem, afirma o Sesar, russos e americanos estariam negociando a entrega de Saddam ou a permissão para que o presidente deixe o Iraque.

Por esse motivo, Condoleezza Rice, assessora de segurança nacional do governo Bush, estaria em Moscou para se reunir com autoridades russas. A Rússia nega que tenha dado abrigo a Saddam. “Essas afirmações são absolutamente falsas e não correspondem à realidade”, disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

Em Washington, autoridades americanas também negaram que haja evidências de que o presidente esteja na Embaixada russa na capital iraquiana. Segundo Ahmed Chalabi, líder do Congresso Nacional Iraquiano (CNI), principal movimento opositor do Iraque, Saddam Hussein está vivo e pode ter se dirigido para o norte do Iraque.

O presidente e seus filhos estariam em Tikrit, cidade natal de Saddam. A cidade, que ainda não está sob controle das forças de coalizão, é sede de um dos maiores e mais protegidos complexos presidenciais de Saddam. No local existem túneis e labirintos que podem ser utilizados para fuga.

A última vez que o presidente (ou um sósia dele) apareceu publicamente foi na sexta-feira passada, quando ele teria caminhado pelas ruas de Bagdá em meio a centenas de simpatizantes. No mesmo dia, o líder iraquiano fez a sua última declaração na TV.

O embaixador do Iraque na ONU, Mohammed Aldouri, admitiu a derrota do regime de Saddam Hussein em Bagdá ontem. “O jogo acabou”, disse o diplomata iraquiano. O importante agora, segundo ele, é que o povo iraquiano viva em paz. “É preciso trabalhar pela paz agora. Esperamos que a paz prevaleça”, afirmou.

As entrevistas de Aldouri foram concedidas na sua residência e também na sede da ONU. O diplomata acrescentou que não mantém contatos com Bagdá há alguns dias. O ministro da Informação do Iraque, Mohammed Said al Sahaf, não concedeu sua tradicional entrevista diária.