10 de julho de 2026
Guerra no Iraque 2003

Mundo não saberá número de mortos

Agência Folha
| Tempo de leitura: 3 min

Washington - A campanha de ataques aéreos e operações terrestres da coalizão anglo-americana contra unidades militares do Iraque certamente deixou milhares de soldados iraquianos mortos, talvez dezenas de milhares, mas o mundo provavelmente nunca saberá quantos, e não sobrou uma autoridade iraquiana para contá-los e notificar suas famílias, segundo a edição de ontem do jornal norte-americano “The New York Times”.

Autoridades militares do Reino Unido e dos Estados Unidos não vão oferecer estimativas do número total de soldados iraquianos mortos na guerra, embora ocasionalmente divulguem números de baixas em confrontos localizados, diz o “New York Times”.

A mais recente estimativa foi realizada pelo comando militar dos EUA no Catar no sábado, quando disse que entre 2 mil e 3 mil soldados iraquianos foram mortos em uma batalha de três horas em uma área de Bagdá por uma coluna de veículos blindados americanos.

De acordo com o jornal, militares americanos não divulgaram provas para assegurar a estimativa. “A tentativa de enumerar os mortos do lado do Iraque na guerra começa com um enigma: quem é civil e quem é soldado?”, questiona o jornal.

Em Basra (Sul do Iraque), motoristas de ambulância e trabalhadores de hospitais estimam que viram entre 1.000 e 2 mil corpos nas três semanas de guerra. “Alguns eram obviamente de militares, com uniformes e botas. Outros eram claramente de civis, incluindo crianças, mulheres e idosos. Alguns estavam queimados por bombas, artilharia e granadas”, afirma o “New York Times”.

Mas talvez centenas eram de homens e garotos em idade de combate que chegaram a hospitais e necrotérios em roupas civis, declara o jornal. “Eram membros da Guarda Republicana que jogaram fora seus uniformes? Eram membros do partido Baath em combate pelo governo de Saddam Hussein? Eram fedayeen ou outros milicianos? Se fossem, poderiam estar tentando se render e foram mortos pelo seu próprio lado?”

O mesmo quebra-cabeça existe em todo o país, mais precisamente e em uma escala muito maior em Bagdá e nas cercanias da capital iraquiana, segundo o jornal. “Por exemplo, bombardeios incessantes e uma semana de combate terrestre praticamente acabou com a Divisão Bagdá do Exército do Iraque, segundo autoridades dos marines que enfrentaram a divisão, supostamente composta por 10 mil soldados. Onde eles estão?”

Uma autoridade militar dos EUA no Iraque, que pediu para não ser identificado, disse que certamente o número de iraquianos mortos era alto, mas definitivamente incerto, de acordo com o “New York Times”. Segundo a fonte, em bombardeios contra diversas divisões iraquianas, a destruição foi “terrível”. Divisões inteiras foram destruídas, disse a fonte, acrescentando que somente após o final da guerra será possível ter um “melhor’ balanço do número de mortos iraquianos.

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Americanos temem mais combates

Washington - Apesar do aparente final da guerra no Iraque, 77% dos americanos dizem acreditar que haverá mais combates, segundo uma pesquisa do jornal “The Washington Post” e da rede de TV ABC News.

De acordo com o levantamento, 62% manifestam preocupação de que os EUA enfrentem um longo e caro esforço de manutenção de paz no Iraque, mas 69% declararam concordar com o compromisso americano de ficar no Iraque para ajudar a manter a paz no país. Segundo a pesquisa, 53% apóiam que a ONU tome conta do Iraque até que a formação de um novo governo iraquiano.