09 de julho de 2026
Geral

Em 4 anos, nenhuma multa foi aplicada ou cão recolhido

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

A lei da focinheira entrou em vigor em março de 1999, mas até ontem nenhuma multa foi aplicada e nenhum cão feroz foi apreendido. O veterinário José Rodrigues Gonçalves Neto, chefe da Seção de Controle de Zoonoses da Prefeitura, explica que a administração municipal enfrenta várias dificuldades para cumprir a lei.

“A primeira é a disponibilidade de fiscais. Precisamos de pessoas treinadas para identificar as raças ferozes. Além disso, não temos um canil para abrigar os animais que venham a ser apreendidos e nem veículo para fazer o transporte”, diz.

O canil existente no Centro de Controle de Zoonoses é administrado pela União Internacional Protetora dos Animais (Uipa) e está lotado. O veterinário afirma que outro problema é convencer o dono do animal a entregá-lo ao fiscal. Na opinião do veterinário, para cumprir a lei, além de fiscal, canil e viatura, é preciso ter o apoio da polícia, para que os infratores entreguem seus animais.

Gonçalves Neto lembra, ainda, que a lei não define todas as raças ferozes. “É difícil determinar, além das raças citadas na lei, quais outras são ferozes”, diz. Ele ressalta, porém, que é preciso aguardar o posicionamento do MP. “Vamos esperar a manifestação do MP, mas sabemos que a maioria dos acidentes ocorre dentro de quintais. Como manter a focinheira 24 horas por dia? Aí podemos cair numa situação de maus-tratos”, questiona.

Na opinião de Gonçalves Neto, a melhor forma para evitar acidentes envolvendo animais ferozes é cobrar a posse responsável. “O dono tem que ser responsável por seu animal. Acho que uma campanha neste sentido pode dar mais resultado e causar menos traumas que a fiscalização”, completa.

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Últimos ataques

Nos últimos cinco meses, o JC registrou pelo menos cinco ataques de cães pit bull em Bauru. O último caso, há menos de 15 dias, foi dos irmãos Pedro e Kuany, que foram atacados por um pit bull no quintal da casa de um vizinho, na Vila Maria.

O mais novo, de 1 ano, levou 40 pontos na cabeça e passa bem. A mais velha, de 2 anos, teve o couro cabeludo arrancado, foi submetida a uma cirurgia reparadora e continua internada no Hospital de Base (HB).

Anteriormente, uma mulher foi atacada dentro de um bar da Vila Falcão, quando foi comprar refrigerante. O cão estava solto dentro do estabelecimento, avançou e mordeu a região da axila, pegando parte do seio da vítima. A ocorrência foi registrada no final de janeiro.

Em dezembro do ano passado, um outro cachorro da mesma raça atacou uma menina de 5 anos na Vila Zillo. Ela também foi submetida a uma cirurgia plástica no HB para reimplantar a parte arrancada.

Em novembro, um cocker salvou uma criança de 3 anos de ser mordida por um pit bull, na quadra 33 da avenida Rodrigues Alves. No mesmo mês, um cão investiu contra um cavalo que puxava uma carroça no Jardim Godoy, o que causou a queda do carroceiro.

Em outubro, um pit bull atacou um menino de 13 anos na Vila Popular Ipiranga, após ter fugido do quintal de uma casa.