08 de julho de 2026
Bairros

Após protesto, linha de ônibus é mantida

Rita de Cássia Cornélio e Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Moradores do jardins Chapadão, Mendonça e Rossi, na zona leste de Bauru, fizeram uma barricada com fogo e murcharam os pneus de três ônibus ontem pela manhã, na quadra 14 da avenida Rosa Malandrino Mondelli, em protesto conta a retirada da linha Jardim Mendonça/Jardim Estoril, que estava prevista a partir de amanhã, dentro do programa de reestruturação do transporte coletivo. À tarde, após reunir-se com os moradores do bairro, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdubr) anunciou que a linha será mantida.

Os manifestantes reclamaram que a linha Jardim Mendonça/Estoril, via Duque de Caxias, é usada por crianças e adolescentes para ir à escola, por trabalhadores para chegar ao serviço e também para ir ao Pronto-Socorro Central e Pronto Atendimento Infantil (PAI). Waldomiro Fantini Júnior, diretor da Divisão de Transportes da Emdurb, afirma que não foi o protesto que determinou a manutenção da linha.

“Nós já tínhamos conversando com o pessoal do Jardim Mendonça no início da semana e feito uma proposta inicial. Mas nem nós da Emdurb nem eles ficaram contentes e já estávamos com uma outra proposta, de manutenção da linha, pronta quando eles fizeram o protesto”, garante.

Fantini Júnior ressalta que as mudanças que vêm sendo feitas nesta semana não comprometem a remodelagem do transporte coletivo na cidade, que visa reduzir o custo do sistema e prepará-lo para a implantação do passe-integração. “São mudanças que não alteram a essência do projeto”, diz.

Na reunião, os moradores também pediram à Emdurb uma alteração na tabela horária da linha Jardim Mendonça/Estoril. “Garantimos a manutenção da linha como ela está hoje e vamos estudar o pedido de mudança nos horários. Mas a região do Jardim Mendonça, além dessa linha, poderá contar com a Bauru 1/Jardim Estoril”, explica Fantini Júnior.

O protesto dos moradores, pela manhã, exigiu a presença de mais de 30 policiais e seis viaturas da Polícia Militar. A preocupação da PM, segundo o tenente Alessandro Rosseto da Silva, assim como do Corpo de Bombeiros, era com os fios de alta tensão que passam pelo bairro.

Os manifestantes fizeram a barricada de fogo sob a rede. Segundo Rosseto, um acordo com os moradores garantiu que os pneus seriam queimados vagarosamente, a fim de não levantar labaredas que atingissem os fios.

O protesto só terminou quando os moradores aceitaram a proposta de reuni-se com a Emdurb feita por Walter Baggio Júnior, representante da empresa. “Eles serão recebidos no período da tarde para discutir com a empresa a melhor solução para o problema”, prometeu pela manhã.

De acordo com ele, a pesquisa que baseou as mudanças de linhas e itinerários dos ônibus foi feita por um empresa idônea e detectou que não havia demanda suficiente para que a linha Jardim Mendonça/Estoril continuasse circulando no bairro.

A argumentação foi duramente contestada pela moradora e líder do movimento, Rosemeire Maria Martins. “A pesquisa é fraudulenta. Não fomos ouvidos pelos pesquisadores. Se não há demanda de passageiros porque há três ônibus circulando e mais dois socorros?”, questionou.

De acordo com ela, nos bairros há adolescentes e crianças que estudam na escola Christino Cabral, localizada no Jardim Estoril, escola Ernesto Monte, nos Altos da Cidade, e escola João Maringoni, no Núcleo Beija-Flor, que utilizam a linha. “Não temos como mandar nossos filhos para a escola e muito menos de pagar quatro ônibus por dia”, reclama Rosimeire.

A moradora diz que além de todos os transtornos que a retirada da linha iria provocar, ainda poderia aumentar o desemprego. “As mulheres trabalham no Jardim Estoril e pegam dois ônibus por dia. As patroas não vão querer pagar quatro. Elas vão dispensar as empregadas”, afirma.

____________________

Único transporte

O comerciante Antônio Pereira Barbosa, estabelecido no Jardim Chapadão, diz que está cansado de computar prejuízos por causa das condições precárias das ruas e que só ônibus circulam pelo bairro. “Os entregadores de mercadorias não trafegam na minha rua. De madrugada tenho que ir buscar o pão no final do asfalto. Caso contrário, os moradores ficam sem o pãozinho”, diz.

Ele alega que os entregadores temem ficar com os veículos atolados nas ruas sem asfalto. “Só temos os ônibus como meio de transporte. Meu carro está na garagem e não posso usar porque a rua em que eu moro está intransitável”, reclama.