11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Coleção de inverno chega às lojas 15% mais cara nesse ano

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

A coleção outono-inverno já está nas vitrines das lojas de confecções. Contudo, quem não abre mão de renovar o guarda-roupas a cada troca de estação terá que desembolsar em média de 10% a 15% a mais que no mesmo período do ano passado para se vestir de acordo com a moda.

Os principais “vilões” apontados pelos lojistas são o encarecimento de matérias-primas importadas - em função das altas cotações do dólar - e de alguns tecidos. O destaque fica para o algodão, que sofreu alta em torno de 30% e está “salgando” os preços de algumas peças.

Em função disso, muitos fabricantes estão buscando como alternativa roupas feitas em tecidos como seda, poliester, lycra, entre outros.

Todos os comerciantes consultados afirmam que a procura pela nova coleção já é grande desde o final do mês passado. As opiniões divergentes são em relação à preferência do consumidor por peças mais leves ou mais pesadas.

A lojista Mônica Rothberg diz que o consumidor costuma ser imediatista e só compra roupas realmente de inverno quando o frio se intensifica. Por ora, as peças da chamada “meia-estação” estariam sendo as mais procuradas.

“Pelo fato de não ter feito muito frio no ano passado, as pessoas podem estar achando que também não vai esfriar demais neste ano. Então, estamos num ritmo lento”, observa Mônica.

Em função disso, ela conta que essa é a primeira vez que a loja começa a vender a nova coleção outono-inverno junto com algumas peças remanescentes do ano passado.

Segundo Mônica, neste ano as roupas estão 10% mais caras. “Mesmo sendo um reajuste pequeno, isso assusta o consumidor, que estava acostumado com produtos há cinco anos no mesmo valor”, opina a comerciante.

Reforma

Outra lojista, Katya Mangialardo, aponta um aumento de 12% a 15% na nova coleção, na comparação com a do ano passado. Para atrair o consumidor ela investiu num plano arrojado: toda a loja foi reformada para receber as roupas de outono-inverno. A estratégia parece estar dando certo, já que ela afirma que as vendas estão indo muito bem.

“A loja está inteira com decoração em branco e preto, fazendo alusão ao estilo mais clássico do inverno. Além disso, desde o início de março nós já estamos com um mix completo da nova coleção. Falta apenas cerca de 30% da coleção completa para chegar”, observa Katya.

Segundo ela, o jeans está em alta nessa estação, bem como a camisaria listrada e peças em seda e viscose. “Na verdade, a coleção está sendo marcada por uma mistura de tecidos”, diz a lojista. Esta tem sido uma alternativa bastante utilizada por fabricantes em função do aumento do algodão e de outras matérias-primas.

Jaquetas em couro e em jeans também fazem parte da moda desse inverno. Para saber a melhor forma de utilizá-las, as vendedoras da loja oferecem assessoria de moda aos clientes.

Em outra loja, o gerente André Ribeiro Miranda apresenta um cenário diferente. Por trabalhar com confecção própria, ele diz que a loja está comercializando algumas peças da nova coleção mais baratas que no ano passado, nesse mesmo período.

“As roupas em jeans, por exemplo, estão no mesmo preço das que faziam parte da última coleção verão. Pouca coisa subiu de preço e as vendas estão ótimas”, declara Miranda.

De acordo com ele, na comparação com esse mesmo período de 2002 as vendas na loja já estão maiores em cerca de 20%. A meta para o final da temporada outono-inverno é registrar um volume 30% maior em vendas.

O gerente de uma loja de artigos populares, Luiz Antônio Colpani, diz que a procura está intensa desde o mês passado. A demanda maior tem sido por parte do público feminino e de crianças.

“As mulheres compram logo porque gostam de novidade. No caso das crianças a questão é de necessidade mesmo, porque elas crescem e perdem muita roupa de um ano para o outro”, conta.

Segundo Colpani, diante da alta do algodão a loja está apostando nas roupas em lã, como a cacharrel, que sempre está na moda. Mas mesmo com as roupas mais caras, a meta da loja é vender cerca de 20% a mais que no mesmo período de 2002.