08 de julho de 2026
Saúde

Grampeamento é opção para hemorróidas

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Uma nova técnica cirúrgica está tornando mais simples o tratamento das hemorróidas no Brasil. Ao invés das incisões convencionais feitas na parte externa do ânus, o médico usa um aparelho para esticar e “grampear” a mucosa intestinal por dentro (no reto), retirando o excesso de tecido que forma as doloridas pregas. Trata-se do Procedimento para Prolapso e Hemorróidas (PPH).

De acordo com o cirurgião Roberson Antequera Moron, estima-se que 70% da população mundial sofre ou irá sofrer de hemorróidas. Para essas, a escolha do melhor tratamento depende da gravidade do problema.

“Quando o paciente apresenta uma hemorróida de primeiro grau, geralmente conseguimos reverter a situação apenas com correção da dieta alimentar e de hábitos intestinais. Mas há casos mais graves em que é preciso fazer uma intervenção cirúrgica”, explica.

Segundo ele, na cirurgia convencional para graus avançados da doença, o médico faz uma incisão na parte externa do ânus. Ele corta a pele, retira a porção inflamada da veia, amarra as extremidades restantes e aguarda a ferida cicatrizar naturalmente.

Essa cicatrização demora entre 15 e 30 dias e, nesse período, a pessoa tem que evacuar diariamente. “Então, é um processo muito demorado e doloroso em que o paciente tem que tomar uma quantidade grande de analgésicos e antiinflamatórios”, comenta.

O PPH não tem cortes externos. O médico usa um dilatador anal para introduz os instrumentos cirúrgicos no reto. A mucosa flácida (hemorróida) é empurrada alguns centímetros para dentro. No reto, um pouco para cima, outro aparelho puxa a parte sadia da mucosa para baixo, mantendo-a esticada.

O excesso deste tecido é projetado para dentro do aparelho que, ao ser tracionado, grampeia mecanicamente a mucosa, cortando a prega e costurando as extremidades restantes.

“A vantagem principal do PPH é que não fica uma ferida aberta. O aparelho corta e grampeia, o que torna a cicatrização muito mais rápida. Além disso, existe muito pouca enervação na camada interna do intestino, ao contrário do que ocorre na pele, então ele sente muito menos dor com o PPH que no procedimento convencional. O que o paciente sente é semelhante a uma cólica”, compara o médico.

Segundo ele, o PPH reduz em até 60% o uso de analgésicos no período pós-operatório, em comparação à cirurgia convencional.

O PPH é realizado sob anestesia (raqui ou peridural) e exige apenas um dia de internação. O paciente retoma sua alimentação normal seis horas após o procedimento e pode retomar sua rotina em pouquíssimo tempo.

Questionado sobre a indicação da técnica, Moron afirma que o procedimento é usado nos graus dois a quatro da doença, desde que o paciente não tenha outra doença anal associada, como fístulas, fissuras ou tromboses. Para esses casos, o tratamento tem que ser feito externamente, pela cirurgia convencional.

Além disso, o cirurgião afirma que só indica o PPH ou outras opções cirúrgicas para pacientes que apresentam sintomas (dor e sangramento). Segundo ele, a hemorróida é uma doença de evolução benigna e se o paciente convive bem com o problema, não é aconselhável submetê-lo aos riscos de uma cirurgia.

“Mas quando a cirurgia é indicada, o PPH é um procedimento rápido, eficiente e praticamente indolor. A única desvantagem é o preço. O grampeador é totalmente descartável, o que encarece a técnica. Uma cirurgia custa, hoje, cerca de R$ 1,2 mil e a maioria dos convênios não cobre essas despesas”, ressalva Moron.

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O que causa as pregas

A parede interna dos intestinos é revestida por um tipo de tecido celular chamado mucosa, semelhante à “pele” que reveste o lado de dentro da boca e do nariz. Este tecido é fartamente irrigado por vasos sangüíneos.

Quando uma pessoa tem obstipação (por maus hábitos alimentares ou estresse, por exemplo) ou “segura” as fezes por qualquer motivo, o intestino absorve mais água do que seria normal. Desta forma, a massa fecal fica ressecada e dura, apresentando mais dificuldade para atravessar o intestino.

Se isso ocorre rotineiramente e a pessoa tem que fazer um esforço exagerado para evacuar, essa mucosa inflama, os vasos sangüíneos se dilatam (como varizes), o tecido “estica” e acaba formando “pregas” na porção final do intestino - são as hemorróidas. Elas podem tanto permanecer no interior do reto como podem ser empurradas para fora do ânus.

Por ser um tecido vascularizado, quando a massa fecal ressecada passa pelas pregas, o tecido pode se romper, causando dores e sangramentos.