07 de julho de 2026
Regional

O MST e o PT


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Vale conferir a entrevista do ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, à Revista Veja, edição n.º 1795 de 26/3/03. Perguntado por que ele classificava de “ocupação” o que na verdade é uma “invasão” por parte do MST, o mesmo tergiversou e respondeu: “O termo invadir ou ocupar é secundário. Cumpram-se as decisões da Justiça”. Dá para entender que o ministro está sinalizando para o MST invadir à vontade, e que o proprietário vá procurar a Justiça, sendo que enquanto isso ele (o proprietário) tem seu patrimônio dilapidado, sua fonte de renda estancada, sua vida colocada em risco, e só depois de gastar com advogados é que poderá retomar a posse do que é seu. É isso que podemos esperar de um ministro que entende que “não é tarefa do ministério reprimir manifestação”, e que é a favor de anular a lei que impede a desapropriação de terra invadida.

Sobre João Pedro Stédile, disse que o colocaria num cargo do governo, pois a diferença que existe entre ambos é que “ele é gremista e eu sou colorado, o que para um gaúcho é muita coisa”. É no mínimo preocupante para nós saber que temos um ministro dirigindo um setor tão sensível da sociedade, que confunde diferença de opção futebolística com o zelo que o governo deve ter com o direito constitucional de propriedade. Mas o que esperar de alguém que não é do meio rural, o ministro veio do setor petroleiro, e que em cujo governo que participou teve a reeleição negada pelo próprio partido. O povo do Rio Grande do Sul certamente sabia o que fazia quando escorraçou com a administração petista.

Para completar, o ministro disse: “Estamos estudando um novo modelo de reforma agrária”. Pergunto: o que o PT fez nestes mais de 20 anos que atirou pedras em tudo que era feito no País, em especial no campo, onde as bandeiras vermelhas do MST se confundiam com as do partido? Se eles não tinham um projeto alternativo não deveriam ficar criticando o que vinha sendo feito.

Finalizando, recomendo a leitura da matéria “A lua-de-mel acabou”, publicada na edição n.º 1.793 da Revista Veja do dia 12/3/03, em que está a afirmação de que “algumas de suas lideranças (do MST) já admitiram, eles desejam o poder”. Pergunto, então: desejam o poder para quê? Seria para transformar esse nosso país, num imenso acampamento de barracas de lonas plásticas fincadas à beira da estrada do mundo, vendo as demais nações se distanciarem à nossa frente?

Grato pela publicação. (Antonio Vitorino Ferreira - RG 9.817.501)