08 de julho de 2026
Regional

Conselho e Estado divergem sobre prazos

Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Avaí - Para o coordenador da Comissão Étnica Regional e supervisor da Diretoria Regional de Ensino de Bauru, Paulo Maximino, a implantação das escolas indígenas deveria levar mais tempo. “É uma idéia interessante, mas os professores ainda não estão muito preparados.”

A representante indígena no Conselho Nacional de Educação (CNE), Francisca Novantino, tem outra opinião. “O processo foi referendado por uma resolução do Conselho Nacional de Educação, que determinou prazos a serem cumpridos.”

Maximino concorda, porém, que é preciso preservar a cultura indígena. “Nas aldeias, com exceção dos mais velhos, quase ninguém fala o idioma de origem. A idéia é resgatá-lo ensinando às crianças.”

O coordenador explica que a decisão de mudar o comando nas salas de aula partiu do Núcleo de Educação Indígena, órgão ligado à Secretaria Estadual de Educação. “São Paulo é um dos estados mais atrasados na implantação dessas escolas. Sempre tivemos turmas especiais nas aldeias, mas com professores brancos.”

Maximino afirma que 20 índios estão cursando o magistério. “Os que já tinham o ensino fundamental se formaram em dezembro. Os demais terminam em setembro. Eles passam uma semana por mês em Bauru tendo aulas com professores da Universidade de São Paulo (USP) e outras três trabalhando nas aldeias.”

Atraso

A conselheira Francisca Novantino afirma que ainda há um longo caminho pela frente antes que as políticas educacionais sejam totalmente implantadas nas aldeias. “O que temos é uma situação preocupante. Nenhum Estado conseguiu cumprir todas as metas estabelecidas.”

Novantino lembra que cabe às secretarias estaduais da educação regulamentar as normas específicas para as escolas indígenas. “Em São Paulo isso já foi feito. É importante ressaltar que as medidas não devem ser tomadas sem que haja uma participação efetiva das comunidades.”

Ela reforça ainda que, pela lei, os professores devem ser formados dentro de um projeto específico, como o que é oferecido em Bauru. “É preciso oferecer aos alunos um conhecimento geral, mas também aprofundar as questões específicas.”