08 de julho de 2026
Saúde

Escolas infantis seguem a tendência

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Assim como os estabelecimentos comerciais, também está sendo observada na cidade uma tendência à regionalização das instituições de educação infantil.

A idéia é procurar o público que quer a comodidade e a segurança de ter seus filhos estudando perto de casa, evitando que a criança percorra longos trajetos pela cidade diariamente até chegar à escola.

A aceitação, segundo os diretores de escolas, tem sido boa. Muitos pais têm se mostrado satisfeitos com a proximidade das instituições.

Antes de instalar uma escola de educação infantil e ensino fundamental no Jardim Marambá, há cinco anos, o diretor Sidinei Marchiori analisou a região e detectou, através de uma pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que tratava-se de uma área populosa. “É uma região que ainda vai crescer muito mais”, afirma.

A maior parte dos alunos da escola moram no bairro, segundo Marchiori. “Hoje, o transporte pesa muito para os pais”, observa o diretor.

Ele acredita que a segurança e a tranqüilidade que a proximidade proporciona à família são fatores importantes na escolha da escola. “Eles vêm a pé trazer os filhos ou às vezes mandam a empregada. Eles não enfrentam trânsito. Além do custo mais baixo, é segurança a mais”, avalia.

Em outra escola de educação infantil e ensino fundamental, que fica na rua Bernardino de Campos, o perfil é semelhante. Muitos estudantes moram nas proximidades, de acordo com a diretora Deise Cincoto.

“A distância de casa dificulta para os pais. Além do tempo que eles perdem para levá-los à escola, tem o custo do transporte ou do combustível”, salienta.

Na opinião de Izilda Ducatti, diretora de uma escola localizada na Vila Paraíso, as vantagens da regionalização das instituições de educação infantil são inúmeras.

“Os pais não precisam transitar com as crianças no carro em direção ao centro todos os dias. Muitos os trazem caminhando”, conta a diretora.

Ela acredita na tendência da migração para os bairros. “Antes, não havia opção nos bairros para pais que queriam uma escola particular perto de casa”, afirma.

Perto do trabalho

A proximidade do trabalho dos pais pode ser uma alternativa mais viável para algumas famílias na hora de escolher a escolinha dos filhos.

Em uma escola localizada na rua Rodrigo Romero, na região central da cidade, a maior parte dos alunos mora longe da instituição. A informação é da diretora Cintia Magda Fernandes Ariosi.

“Os pais que têm melhor poder aquisitivo preferem escolas de centro, independente da qualidade. Os pais dos bairros dão preferência às escolas que ficam mais próximas às suas residências em função de economizar no transporte”, acredita.

Ela diz que se os pais trabalham perto da escola, o socorro em caso de acidentes ou outros problemas com os filhos pode ser mais rápido.

“Se os alunos estão com febre ou alguma coisa, é rápida a vinda deles até a escola. Em horário de almoço, vários pais vão à escola ver como as crianças estão. Se eles marcam médico dá para levá-los e voltar ao trabalho”, argumenta Cintia.

Saula Maria Balieiro escolheu a escola pela qualidade e pela localização - não muito distante de seu local de trabalho.

“Geralmente, eu deixo meu filho na escola e depois vou trabalhar. Depois eu saio do trabalho e pego ele na escola. Como a escola tem um horário flexível, fica mais fácil”, afirma.

“Se eu precisar pegar um ônibus para trabalhar, eu pego um só e economizo tanto na vinda quanto no retorno”, acrescenta.

Saula diz que não matriculou o filho Lucas em uma creche municipal devido ao horário rígido. “Acredito que a opção das mães que não têm veículo próprio é deixar o filho ou próximo ao trabalho ou próximo à casa, desde que haja flexibilidade nos horários da escola”, ressalta.

Ela destaca a preocupação com a qualidade da instituição. “Temos que fazer uma pesquisa visando a qualidade e combinando com a praticidade”, diz a mãe do aluno.

Laodsi Bezerra Lezier tem um filho que fica o dia todo na escola. Pela localização, a mãe consegue visitá-lo na hora do almoço. “Se ele está com febre, eu posso me ausentar do trabalho por um tempo menor por estar pertinho”, diz.

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Família

Lucília Coelho é uma das mães que optou pelas escolas infantis de bairro. Ela mora no Jardim Marambá e diz que o filho faz amizades na escola com crianças que moram no mesmo condomínio.

“Facilita bastante. Se eu não tenho quem pegue, a mãe de um amiguinho pega. É uma dor de cabeça a menos”, afirma.

Aparecida Ribeiro concorda. A neta cursa a segunda série do ensino fundamental em uma escola no Jardim Marambá, bairro em que mora. “A localização é muito importante, além da qualidade do ensino. Eu evito gastos com condução”, conta.

Diariamente, Aparecida leva e busca a neta na escola, onde chega em menos de cinco minutos de caminhada. “É uma tranqüilidade poder levar e buscar a pé e estar sempre presente. É ruim a criança estar na porta do prédio ou no ponto do ônibus esperando a perua”, avalia.

A moradora da Vila Paraíso Marisa Serrano, cujo filho estuda em uma escola do bairro, prioriza a segurança. “É bom ter ele próximo, para o caso de acontecer alguma coisa”, diz.