09 de julho de 2026
Política

Marsola admite prejuízos

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O chefe de Gabinete da Prefeitura de Bauru, Antonio Sérgio Marsola, admitiu ontem que a administração teve prejuízo com a empresa Bom Bife. Ela foi a vencedora de um processo de licitação para fornecimento de 30 toneladas de carne, ao custo de R$ 338.298,00. Segundo Marsola, a mercadoria foi entregue parcialmente - ele não soube informar a quantidade -, mas o pagamento ao fornecedor ocorreu de maneira integral.

A prefeitura quitou a dívida em duas parcelas. A primeira, no valor de R$ 277.578,00, foi paga no dia 24 de dezembro do ano passado. A segunda, no valor de R$ 60.720,00, foiquitada no dia 6 de fevereiro deste ano.

O chefe de Gabinete explica que a prefeitura gasta uma grande quantidade de alimentos para abastecer a merenda escolar. “Fornecemos em torno de 56 mil refeições por dia. Compramos, por tanto, grande quantidade de alimentos”, conta.

Ele lembra que no segundo semestre do ano passado foi feita uma licitação para comprar gêneros alimentícios. “E entre tantos itens - macarrão, arroz, feijão - compra-se carne em grande quantidade. Várias empresas se habilitaram e ganhou a concorrência a Bom Bife”, relata.

Marsola destaca que o proprietário da empresa, Laurindo Moraes de Oliveira, é fornecedor da administração há mais de 20 anos. “Ele ganhou a licitação. São 30 toneladas de carne. A prefeitura não pode receber 30 toneladas de carne porque não tem onde guardar. Então, emite-se nota fiscal de entrega futura, fazemos o pagamento e o proprietário fica como depositário para entregar conforme a demanda da merenda”, expõe.

O chefe de Gabinete diz que foi informado, “por esses dias”, que a Bom Bife estava em dificuldades financeiras. “Fizemos uma consulta informal e ele respondeu que não estava em condições de fornecer a carne que estava contratada. Ele já entregou uma parte, mas não sei dizer quanto.”

Ao ser informado da situação pelo proprietário da empresa, Marsola conta que a administração consultou, “de imediato”, o setor da merenda para se saber da necessidade de uma nova aquisição do produto.

“Abrimos uma nova concorrência, uma tomada de preço, que é mais rápida, para não deixar faltar carne na merenda. Isso vai nos garantir o fornecimento por uns dois meses. Serão gastos cerca de R$ 300 mil. São vários tipos de carne: carne moída, filé de frango, picadinho”, informa.

Ele explica que a administração vai se utilizar de uma modalidade de licitação, que é o registro de preço, que facilitará o fornecimento de mercadorias parcelado. “Mesmo que um fornecedor deixe de entregar, pode-se pegar de outro. Isso resolverá esse tipo de problema, que já é antigo na prefeitura.”

O chefe de Gabinete afirma que a Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos já está analisando a situação da Bom Bife para tomar as providências que o caso requer. “Nós vamos entrar com uma ação judicial contra a empresa. A prefeitura vai mover uma ação para obrigar a entrega da carne ou a devolução do dinheiro”, adianta.

Ele diz que há um documento no qual consta que o fornecimento da mercadoria deve ser parcelado. “Com outros fornecedores de alimentos perecíveis também utilizamos dessa prática. É um risco guardar 30 toneladas de carne. Temos entrega de fruta, de verdura todos os dias. Como se compra legumes em grande quantidade para 15 dias. Não se estoca. A entrega é parcelada. Compra-se, paga-se e fica garantindo depois o abastecimento.”