11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Ajax avalia 59 cidades para investir

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

A empresa bauruense Acumuladores Ajax está avaliando 59 cidades em sete Estados do Brasil para instalar uma unidade de reciclagem de baterias. Segundo a diretoria da empresa, a abertura desta sede faz parte de um projeto de reestruturação elaborado após a interdição do setor metalúrgico da fábrica de baterias em Bauru, em fevereiro de 2002. A fábrica situada em Bauru não será transferida.

A instalação de uma unidade de reciclagem tornou-se necessária para a sobrevivência da empresa, porque é deste setor que vem a matéria-prima utilizada na fabricação de baterias. Como a interdição do setor metalúrgico se prolonga há mais de um ano, a empresa se viu obrigada a tomar atitudes para a sua permanência no mercado.

Segundo a diretoria, os Estados em que as avaliações estão sendo feitas não serão divulgados a pedido, na maioria dos casos, das próprias prefeituras das cidades. “O caso envolve disputas como incentivos fiscais oferecidos por cada cidade. Por isso, estamos tomando o cuidado de manter essa informação em sigilo, enquanto não temos uma definição”, informa a assessoria de comunicação da Ajax.

No último domingo, uma matéria publicada no jornal A Gazeta do Sudoeste, da cidade de São Sebastião do Paraíso (MG), causou espanto à diretoria da Ajax. A publicação dizia ser praticamente certa a instalação de uma unidade da fábrica naquele município, que geraria cerca de 1.000 empregos.

Em Bauru, a diretoria da empresa nega que qualquer decisão tenha sido tomada e que a cidade mineira seria apenas uma entre as demais 58 que estão sendo avaliadas para o projeto de reestruturação.

Além disso, esta unidade, quando for instalada, será de pequeno porte e responsável pela geração de 100 a 150 empregos. “A sede será apenas para a reciclagem de baterias. Com isso, voltaremos a ter matéria-prima para a fabricação das baterias”, ressalta a assessoria de comunicação.

Já em Agudos (conforme o JC já divulgou), estariam em estado avançado o levantamento de dados e as avaliações técnicas que estão sendo feitas desde o final do ano passado para a instalação de uma unidade fabril da empresa.

“Esse projeto é outro, não tem relação com a reestruturação da empresa através da construção da unidade de reciclagem. A sede que provavelmente será instalada em Agudos faz parte dos planos de ampliação do setor de produção de baterias da Ajax”, informa a diretoria. Nesta unidade devem ser gerados cerca de 500 postos de trabalho.

A diretoria da empresa não fez previsão sobre quando deve definir a cidade que abrigará a nova unidade de reciclagem.

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Interdição

As atividades do setor metalúrgico da Ajax foram suspensas após a Companhia de Tecnologia e Saneamento do Estado de São Paulo (Cetesb) ter detectado que havia emissão de chumbo pelas chaminés e pelos fornos.

Para apurar a dimensão dos danos ambientais, a Saúde pública submeteu os moradores do bairro Jardim Tangarás - próximo ao setor metalúrgico da empresa - a uma série de exames, que constataram contaminação, principalmente, nas crianças.

Pelo mesmo motivo, os hortifrutigranjeiros produzidos no Jardim Tangarás foram vetados da alimentação e os animais foram sacrificados.

Prejudicada pela paralisação de seu setor metalúrgico, que fornece matéria-prima para a fabricação das baterias, a Ajax está desenvolvendo um projeto de reestruturação.

O ponto central é a instalação de uma unidade de reciclagem de baterias em uma das 59 cidades que estão sendo avaliadas pelo departamento de engenharia da empresa.