Participar na vida política do País constitui não só direito, mas dever absoluto de todo cidadão. Era isso deferido, desde longa data, para os adultos em geral e, agora, também o é no tocante aos jovens de idades aproximadas dos 18 e que, tornando-se legalmente eleitores, ganharam condições para avançar muito nesse campo vivencial. O momento é, então, oportuníssimo para se lembrar de inserir na cabeça da juventude estas inquirições assás pertinentes: Teriam os jovens consciência absoluta de todo o alcance desse dever? Já estariam plenamente imbuídos disso e propensos, portanto, a exercitá-lo em toda a sua amplitude e respectivas variações? Há os que se omitem, indiferentes aos dispositivos da legislação que pune aos refratários? Certamente, há um montante tão grande que resulta em volumoso declínio dos contingentes eleitorais. E por que se omitem, com isso abandonando principalmente a possibilidade de virem a exercer funções relevantes, bem remuneradas, como as de legislador e executor em alguma órbita - federal, estadual e municipal - tendo em vista sua pouca participação na vida do Congresso Nacional e Câmaras Municipais?
Notam-se alguns motivos jutificatórios do problema, com destaque para a idéia negativa que não poucos jovens carregam a respeito, colocando o excesso de purismo e de idealismo abstrato como fatores principais do seu afastamento da atividade política. Mas, não poderiam os adolescentes ater-se unicamente a isso para tentar justificar o seu recuo, pois precisariam considerar que, face a tão imperioso dever social, perecem inquestionavelmente quaisquer outras negativas humanas, dentre as quais figura tudo aquilo que não se inclua como dever expresso. Urge, então, que os pais e orientadores educacionais motivem a faixa para outro caminho, aquele que a conduza realmente ao porto seguro da vida pública obrigatória, que nenhum cidadão válido pode objetar com a displiscência dos que não se interessam pelo seu progresso cultural e profissional, progresso esse cuja tendência pode vir a se refletir no engrandecimento da nação. Reina, por isso, com muita razão, a esperança de que venha a juventude a participar com entusiasmo da luta política que possa resultar no bem comum de todos os semelhantes. Confessa-se que o dever de se integrar ativamente na jornada nacional há que entusiasmar patrioticamente a mocidade, deixando de criar lacunas entre uma geração e as demais. É imperioso que os jovens comecem a sonhar com a vocação de líderes ou representantes do povo, na qual têm lugar reconhecidamente reservado pela pátria. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)