08 de julho de 2026
Geral

Distribuição de leite pode cair 50%

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

A quantidade de leite distribuída pelo Estado às 553 crianças atendidas em Bauru poderá sofrer uma redução de 50%. O programa Viva Leite, que atualmente oferece 30 litros por mês, vai passar a fornecer metade disso.

O pedreiro Alfredo Inácio da Silva tem um filho que é atendido pelo programa. Ele afirma que, caso passe a receber metade do leite, terá dificuldades. “O que eles fornecem já não dá. Eu sempre tenho que comprar uma quantia a mais.”

Ele se diz revoltado com a situação. “É uma covardia. O pobre está cada vez mais miserável.”

A mudança se deve a uma adequação da cidade às normas do governo estadual, que banca o projeto. “Desde que o Viva Leite foi criado, em 1995, ele já previa 15 litros mensais por família cadastrada. O que acontece é que algumas cidades acabam dando o dobro”, afirma o coordenador de Desenvolvimento dos Agronegócios (Codeagro) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, Moacir Rossetti.

Ele explica que um novo cadastro evitará que isso continue acontecendo. “Antes não tínhamos como fiscalizar o destino do leite, já que são 720 mil pessoas beneficiadas. Agora estamos implantando um sistema informatizado que fará o controle das prefeituras.”

Com isso, restam duas alternativas para a Secretaria Municipal do Bem Estar Social (Sebes), responsável pela distribuição do leite em Bauru. Ela poderá dobrar o número de crianças atendidas, diminuindo pela metade a quantia a que cada uma tem direito ou subsidiar meio litro.

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Moda atual

A secretária do Bem-Estar Social, Sandra Scriptore, diz que ainda não foi decidido o que será feito. “Oficialmente, ainda não recebemos nenhum comunicado do governo estadual, mas se ele confirmar que cada criança tem direito a meio litro, vamos ter que adaptar o programa. É importante destacar que, assim que definirmos as medidas a serem tomadas, faremos uma ampla divulgação para os pais.”

Ela acha difícil, porém, que a prefeitura subdisie uma parte do Viva Leite para que não haja alteração na quantia distribuída. “A verba necessária não está prevista no orçamento. Além disso, o próprio governo estadual diz que os municípios devem trabalhar com planejamento. Nós já temos vários outros projetos sociais, como o Nutre Bebê, que atende cerca de mil crianças por mês e distribui o leite em pó e uma sopa com proteínas.”

O coordenador de Desenvolvimento dos Agronegócios (Codeagro) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, Moacir Rossetti, afirma que as regras do programa foram informadas às prefeituras. “Ninguém pode alegar que houve desconhecimento. No ano passado, fizemos reuniões com todos os municípios para explicar como ele funciona.”

No dia 25, há um encontro agendado para tratar da renovação do convênio entre a Prefeitura de Bauru e o governo estadual. “O município deve apresentar um plano de trabalho para que tenha direito ao Viva Leite”, conta o coordenador.

Para Rossetti, é preciso levar em consideração a qualidade do leite. “Ele é enriquecido com vitaminas e funciona como um suplemento. É por isso que meio litro por dia é suficiente para evitar a anemia.”

Para Silvana Dias, que era contemplada pelo Viva Leite até fevereiro, o problema do programa é outro. “Minha filha completou 2 anos e parou de recebê-lo. Em outras cidades, ele é oferecido até os 6 anos.”

Sandra Scriptore esclarece que a prefeitura deu preferência às crianças mais novas. “Optamos por priorizar as que têm até 2 anos. No Nutre Bebê, atendemos as que ainda não completaram 3 anos.”

Dias afirma que cadastrou a filha neste programa, mas ainda não conseguiu o benefício. “Enquanto isso, ela está com peso baixo.”