O quatro de plantonistas do Pronto-Socorro Infantil (PAI) é formado por profissionais que mantêm consultório há vários anos e que, mesmo assim, optaram por trabalhar com urgência e emergência. Quem garante são os próprios pediatras do pronto-socorro, que contestam o perfil do especialista traçado ontem em matéria publicada pelo JC.
De acordo com o texto veiculado, só se submete ao estresse do atendimento de urgência o profissional que não tem outra opção, que está iniciando ou finalizando a carreira.
“Os especialistas que trabalham aqui tem anos de profissão, mas ainda estão longe da aposentadoria. Também ninguém aqui está iniciando a carreira agora. Além disso, 60% do quadro fizeram o curso de suporte avançado em vida em pediatria, do American Academy of Pediatrics, oferecido pela prefeitura. Tivemos 100% de aprovação”, explica o diretor do Departamento de Urgências e Emergências, Felinto dos Santos Neto.
De acordo com ele, a dificuldade encontrada pela administração municipal em contratar pediatras é conseqüência justamente da grande oferta de empregos em Bauru. Felinto ressalta que qualquer especialista pode trabalhar como clínico no pronto-socorro, mas no PAI tem que ser pediatra.
A médica infantil Maria Luiza Cury explica que para trabalhar no PAI é imprescindível que o médico tenha visão clínica para decidir rapidamente sobre a conduta a ser adotada em cada caso.
Contudo, ninguém nega que a atividade é entremeada por estresse, principalmente devido ao grande volume de atendimento.
Estatísticas ainda indicam que 70% do atendimento público municipal de saúde é feito no PS. Porém, segundo Felinto, 90% dos casos que chegam até eles não são de emergência. A procura intensa provém de casos menos graves.
A secretária Municipal de Saúde, Sônia Fiocchi, também ressalta que os profissionais que trabalham no PAI são extremamente capacitados e exercem a atividade por opção.
O pediatra Ajax Rabelo Machado concorda que para desempenhar bem a função no PS, o médico tem que ser capacitado.