Os agentes de segurança penitenciários de Bauru e região que assistiram ao filme “Carandiru”, em sessões especiais para a categoria realizadas na sexta-feira e anteontem, divergem na opinião sobre a obra, baseada no livro do médico Drauzio Varella.
Os agentes foram incentivados pelo Sindicato dos Trabalhadores Públicos do Complexo Penitenciário do Centro Oeste Paulista (Sindcop) a assistir o filme do cineasta Hector Babenco para avaliarem como a função dos agentes é mostrada na tela. Um total de 217 profissionais da área já viram o filme, segundo o presidente do Sindcop, Jardel de Araújo.
Antes da estréia de “Carandiru” em Bauru, na semana passada, Araújo acreditava na possibilidade do sindicato entrar com alguma ação na Justiça contra o filme. “Os agentes viram o longa-metragem e agora estamos pedindo para eles virem até o sindicato e manifestar sua opinião. Depois disso vamos avaliar se cabe um ação ou não”, afirma Araújo.
Na opinião do presidente do sindicato, a obra é injusta com a categoria quando mostra um dos agentes recebendo dois pacotes de cigarro como suborno de um detento para permitir que este entre num local proibido. Na seqüência, o detento mata outro preso. “O agente é mostrado como corrupto e conivente com um crime nessa cena”, afirma Araújo.
Para o agente e funcionário do Sinbcop, Wellington Jorge Braga de Oliveira, que assistiu o filme na sexta-feira, “Carandiru” denigre a imagem dos agentes ao mostrá-los sempre ausentes e, além da cena do cigarro, insinuar em outro momento da fita que eles praticam violência contra os presos.
Já para o agente José Benedito Filho, que trabalha na Penitenciária 1, de Bauru, a falha do filme no que diz respeito à categoria é o fato de ignorá-la. “Ele não mostra o que é a nossa profissão, ele mostra o agente de segurança como uma pessoa que só abre e fecha portas, o que não é a realidade”, diz.
Para o agente, que acredita que não há a necessidade de se entrar com uma ação contra o filme, o que é mostrado no longa também não serve como referência para a categoria porque o trabalho nas penitenciárias do Interior não tem nenhuma relação com o que era feito no Carandiru.
“Se alguém não sabia o que era a nossa profissão continuou não sabendo, porque o filme nos ignorou. Isso é ruim porque o agente só aparece quando está com a faca no pescoço, como refém, ou quando encontram um celular na prisão e um de nós é suspeito”, reclama.
Para o presidente do sindicato, a categoria precisa se defender contra a imagem veiculada na obra de Babenco porque ela vai ser vista por muitas pessoas que podem ter uma idéia errada sobre a profissão.
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Filme bate recorde na estréia
A estréia de “Carandiru”, de Hector Babenco, na última sexta-feira, bateu recorde histórico de público e renda para um filme brasileiro.
O longa-metragem baseado foi visto por 468.293 espectadores no fim de semana, alcançando uma renda de R$ 3,5 milhões. A produção do filme consumiu R$ 12 milhões, e sua campanha de lançamento custou R$ 3,2 milhões.
Além de ser o melhor resultado para um filme brasileiro em todos os tempos, os números de público e renda no lançamento de “Carandiru” são também os maiores entre todos os filmes estreados no Brasil este ano.
Rodrigo Saturnino Braga, diretor da Columbia, distribuidora do longa, diz que “o que mais chama a atenção até agora é o espetacular desempenho nos cinemas em áreas populares, incluindo as salas “de rua’”.
As maiores marcas foram do complexo Hoyts de Guarulhos, que registrou 8.600 espectadores em três salas, e do Cine Ipiranga, no centro de São Paulo, que teve público de 8.500 pessoas, o maior numa única sala.
“Carandiru” está em cartaz em 290 cinemas em todo o Brasil. A estimativa de Saturnino Braga é que o filme chegue a 2 milhões de espectadores.
A diferença entre o público da estréia e o do fim de semana subseqüente é decisiva para atualizar a projeção. As estimativas são refeitas às segundas.