09 de julho de 2026
Geral

Bispo pede reflexão e oração aos fiéis

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

O bispo diocesano de Bauru, dom Luiz Antonio Guedes, que ontem à noite celebrou a Missa dos Santos Óleos, na Catedral do Divino Espírito Santo, lembra que a Semana Santa, assim como a Quaresma, é um período para os católicos revitalizarem o batismo.

É uma ocasião, afirma, de aprofundar os laços com Deus para construir a vida pessoal, familiar, comunitária e social em comunhão com Ele.

“Creio que seremos ajudados a fazer isso aproveitando esses dias para o recolhimento, para a oração, em vista de um contato mais profundo com as raízes do nosso ser e com a fonte de nossa vida: Deus que nos ama”, diz. Leia a seguir entrevista com o bispo.

Jornal da Cidade - Passados quase 2000 anos da morte de Cristo, a população celebra a data com o caráter religioso ou o senhor acha que a Páscoa tornou-se mais uma data de apelo comercial? Dom Luiz Antonio Guedes - A celebração da Páscoa tem graus diversos de participação do povo. Para uns é apenas um feriado a mais para ser aproveitado; para outros permanece uma certa religiosidade herdada do passado e para muitos é um momento forte de busca de um encontro profundo com Deus pela oração, pela escuta de sua Palavra, pela revisão da própria vida, pelo aprofundamento do amor e da comunhão. Estou convicto de que há uma participação mais profunda hoje nas celebrações por parte do povo cristão.

JC - Algumas comunidades fazem encenação da Paixão de Cristo, como ocorrerá na Paróquia Beato José de Anchieta, São João Batista e Nossa Senhora de Lourdes e São Benedito, em Bauru. Qual o sentido da encenação? O senhor acha que ela ajuda na aproximação de Cristo? Dom Luiz - A encenação é um meio muito eficaz de evangelização. Eu me recordo de como uma peça sobre a vida, paixão, morte e ressurreição de Cristo a que eu assisti na minha infância marcou a minha vida e me atraiu para ele. Hoje muitas comunidades têm feito uso desse instrumento para apresentar a proposta evangélica às pessoas. Ela tem valor não só pelos que atinge ao ser apresentada, mas também pelo fato de ser um meio de aglutinação de pessoas que se articulam para a sua preparação e apresentação. Dá possibilidade de participação ativa e criativa às pessoas. Na Catedral de Bauru (Divino Espírito Santo) será apresentada a Paixão de Cristo a partir da ótica do idoso, segundo me foi dito. Páscoa e Campanha da Fraternidade relacionando-se harmoniosamente.

JC - Ainda há muitos fiéis que só vão à igreja na época da Páscoa e Natal? O que o senhor tem a dizer sobre isso? Dom Luiz - Há sim fiéis que procuram a Igreja nos momentos litúrgicos mais fortes. Mas há um contigente que freqüenta assiduamente por convicção. Todos devem ser bem acolhidos. É necessário fazer um esforço para motivar nos primeiros uma participação mais freqüente. Anunciar sempre a todos, propor, orar e aguardar a manifestação da hora de Deus na vida de cada um.

JC - E sobre a abstinência da carne na Semana Santa e na Sexta-feira da Paixão? O que a Igreja preconiza, comer ou não comer carne? Dom Luiz - Na quaresma são dois dias de jejum e de abstinência de carne: Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa. Nas demais sextas-feiras do ano é proposto que cada fiel escolha alguma forma de penitência, sobretudo na direção da fraternidade. A salvação é dom de Deus. A nossa penitência tem por finalidade predispor-nos a aceitar e acolher a graça divina e não colocar obstáculo à sua ação em nós. É uma questão de reciprocidade semelhante àquela que acontece numa amizade humana.

JC - Qual a mensagem do senhor aos fiéis? Dom Luiz - Desejo a todos uma santa e feliz Páscoa. Que o Senhor dê a todos a graça de descobrirem e saborearem o seu amor infinito. Que Ele faça de todos instrumentos de sua Paz. E todos tenham a alegria de perceber que há mais alegria em dar-se do que em receber.