09 de julho de 2026
Política

Sem ruptura, INSS local muda chefia

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

O cargo de gerente-executivo do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) em Bauru trocou de mãos ontem, mas a linha de trabalho deve permanecer a mesma. Após três anos e meio na gerência, Maria Lúcia Custódio Alves Pfeifer passa o cargo ao auditor fiscal João Antônio Ribeiro Manso Sayão, 43 anos, há 18 anos no INSS.

A escolha por Sayão foi feita pelo ministro da Previdência e Assistência Social, Ricardo Berzoini, a partir de uma lista tríplice que incluía o nome da própria Maria Lúcia. O processo de transição vai até o final deste mês. A gerência executiva de Bauru abrange cerca de 60 cidades.

De acordo com a ex-gerente-executiva, Sayão vai herdar um órgão que teve nítida “evolução” nos últimos anos, passando por um processo de autonomia e descentralização. “O INSS foi um dos poucos órgãos federais que caminhou realmente para a profissionalização”, diz Maria Lúcia.

Entre os requisitos para essa profissionalização está a influência cada vez menor de fatores políticos para a ocupação do principal cargo das 102 gerências executivas do País. O gerente-executivo tem que ser funcionário de carreira e passa por um rigoroso processo seletivo antes de fazer parte da lista tríplice.

Apesar dos investimentos na dinamização do atendimento e da concessão de benefícios, há 16 anos o órgão não promove concurso para profissionais de nível médio, responsáveis por 80% da mão-de-obra do INSS. “Nossa principal carência é de material humano. Boa parte do que nós temos represado hoje, não concedido no prazo que gostaríamos, é por conta da falta de servidores mesmo”, diz Sayão.

Quanto a possíveis mudanças no funcionamento do órgão em Bauru, o novo gerente-executivo declara que quer uma administração de continuidade do trabalho de Maria Lúcia, com quem afirma compartilhar “boa parte dos mesmos ideais”.

Apesar disso, Sayão admite que pode haver mudanças em postos estratégicos dentro do INSS de Bauru. “Eventualmente, podemos fazer mudanças de chefias conforme a minha opinião, mas a idéia é de que não haja ruptura”, afirma.

Reforma

Embora as gerências-executivas tenham contato direto com o ministro da Previdência, a reforma do setor é assunto que permanece restrito às esferas de Brasília. Na opinião de Maria Lúcia, compartilhada por Sayão, o principal desafio é mostrar que a Previdência é um “fator de estabilidade” para seus segurados.

Esse reconhecimento, no entanto, só é possível através da segurança financeira da instituição. A proposta inicial para a reforma da Previdência acordada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os 27 governadores, que prevê instituição de teto máximo e unificado e taxação sobre inativos, é encarada como algo positivo por Maria Lúcia e Sayão, apesar de preferirem não comentar o assunto.

“Hoje o desafio é melhorar os sistemas corporativos dentro da instituição”, diz a ex-gerente-executiva. Sayão completa: “A reforma da Previdência é algo que se mostra inevitável. É claro que deve ser cautelosa, para que não se cometam injustiças, mas acho que o governo está atento a isso.”

A mudança na gerência executiva do INSS é a segunda nos grandes órgãos federais instalados em Bauru desde a posse de Lula. Há cerca de um mês, a subdelegacia do Ministério do Trabalho passou a ser chefiada por Maria Rita Maringoni, em substituição a Sérgio Branco. O nome dela foi apoiado por sindicatos ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e ao PT.

Até o momento, não há informações sobre troca de chefia na delegacia da Receita Federal, comandada hoje por Celso Gomes Pegoraro.