09 de julho de 2026
Auto Mercado

Airbag deve encarecer carros

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

O deputado federal Roberto Gouveia (PT-SP), apresentou projeto de lei à Câmara que deve encarecer ainda mais os preços dos automóveis nacionais. A proposta prevê a obrigatoriedade do airbag duplo como equipamento de série para todos os automóveis fabricados no País.

Se aprovada, no primeiro ano de vigência 30% dos carros nacionais teriam de possuir as bolsas frontais, proporção que aumentaria para 50% no terceiro ano e 100% no quinto ano.

Segundo Gouveia, o uso dos airbags tem apresentado bons resultados, bem superiores ao uso apenas do cinto de segurança. “O consumidor brasileiro merece ser tratado com o mesmo respeito que a indústria dispensa aos compradores em outros países”, considera ele.

O AutoMercado&Cia entrou em contato com as assessorias de imprensa das quatro principais montadoras nacionais - Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford - para ouvi-las sobre o assunto, mas nenhuma pronunciou-se sobre o projeto de lei.

Entretanto, a medida é criticada por concessionárias bauruenses. O gerente da Baurucar/Volkswagen, Renato Tambara Neto, concorda com a idéia principal do projeto - a tentativa de aumentar a segurança dos autos -, mas a considera inviável. “Atualmente 70% dos carros comercializados são populares. Se estes possuisem direção hidráulica já deixariam de ser vendidos em razão do preço. Imagine com o airbag.”

Para Renato, o equipamento ainda deve ser mantido como item opcional, a exemplo do que ocorre atualmente. Segundo o gerente, qualquer custo adicional durante a fase de produção, como o caro airbag, seguramente será repassado ao consumidor. “As montadoras já estão trabalhando no limite, o que certamente, na atual conjuntura econômica, as faria encarecer os veículos”, prevê ele.

Para Renato, os automóveis atuais já possuem um nível de segurança extremamente elevado, o que dispensaria a obrigatoriedade do airbag como item de série. “Hoje os carros, mesmo os populares, estão mais seguros. O cinto de três pontas, os vidros laminados, que não se estilhaçam, e as barras de proteção lateral são componentes já presentes em todos os autos fabricados”, destaca.

O gerente enfatiza que além de constituir-se em um item naturalmente de preço mais elevado - para instalá-lo em um Gol Power 1.6 o consumidor terá de dispender R$ 1.413,00 - o airbag também é um componente cuja manutenção é dispendiosa. “Quando ele dá problema, o motorista deve preparar o bolso, pois terá de gastar pelo menos R$ 2 mil para consertá-lo”, alerta ele.

Renato acrescenta que, se aprovado, o projeto de lei também trará problemas para modelos que originalmente não foram concebidos para receber o equipamento, como a Kombi, por exemplo. “Ela não conseguiria cumprir a legislação”, frisa.

Real eficiência

Outro gerente de concessionária, Jorge Simão Neto, da Simão/Ford, também salienta ser contra a aprovação do projeto. Entretanto, ele afirma que mudaria de opinião caso fosse comprovada a real eficiência do airbag. “Enquanto não for provado que ele é 100% eficaz e que não pode causar riscos, independente das características físicas das pessoas, sou contrário à sua obrigatoriedade”, sustenta.

Ele também concorda que o projeto encarecerá os veículos e julga impossível a diluição dos custos para a adaptação do airbag durante as etapas de produção do veículo, argumento dos que defendem a idéia de que o projeto não provocará reajustes de preços. “As montadoras chegam a retirar itens ínfimos, como fechaduras e bancos reclinantes, por medida de contenção de despesas. Assim, o airbag fatalmente teria seu valor diluído”, prevê.

Em caso de aprovação da proposta do parlamentar petista, Jorge só não vê problema para adaptar os modelos que não foram projetados para receber os airbags. “Sempre há uma maneira para realizá-las”, crê ele.