08 de julho de 2026
Auto Mercado

Bauru terá GNV, mas só em 2006

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

O Gás Natural Veicular é uma realidade em várias cidades paulistas, que já contam com postos de abastecimento para o combustível. Entretanto, os motoristas bauruenses ainda terão de esperar pelo menos mais três anos para usufruirem do GNV. É o que revela Ricardo Sartori Manfrinato, coordenador de vendas de uma distribuidora que detém a concessão para trazer o gás até Bauru e toda região Centro-Oeste do Estado.

A previsão inicial, que pode ser revista pela empresa, é que o GNV chegue à cidade somente em 2006. “A existência deste tipo de gás aqui é real. Não sei se a curto ou longo prazo, mas virá com certeza. Tudo vai depender do mercado. Se este for mais ágil que estamos pensando na mudança para o GNV, essa previsão pode ser antecipada. Ou também prorrogada”, destaca ele.

Segundo Ricardo, o maior problema para a aceleração da vinda a Bauru é a logística. Ele explica que trazer uma ramificação à cidade do gasoduto Brasil-Bolívia existente na rodovia Washington Luiz, responsável pelo abastecimento dos municípios que já contam com GNV, demanda tecnologia e trabalho especializado.

“Vir de Araraquara para cá exigiria superação de obstáculos geográficos, como um rio”, exemplifica. Por essa razão, acrescenta o coordenador, é que os investimentos estão sendo feitos primeiramente nas cidades que margeiam a estrada. “Fica mais fácil e o custo é menor”, diz. Apesar disso, Ricardo é enfático. “O GNV é fato em Bauru. Só precisamos esperar a época certa para trazê-lo.”

Mesmo ainda não possuindo dados a respeito, o coordenador da distribuidora acredita que o consumo de GNV na cidade atingiria o dobro do registrado, por exemplo, em São Carlos. “Por ser de porte menor, ela consome atualmente 500 mil metros cúbicos. Aqui este valor provavelmente chegaria a 1 milhão”, estima ele.

Investimento alto

Para Ricardo, apesar de exigir investimento altíssimo - entre R$ 500 mil a R$ 700 mil para se aparelhar um estabelecimento -, o GNV é um bom mercado para as distribuidoras e postos de combustíveis. “O retorno é compensatório”, considera.

Mesmo assim, considera Ricardo, as perspectivas de mercado sempre são um “grande ponto de interrogação”. E, questionado se o alto custo necessário para tornar um posto capaz de ofertar o GNV não afetaria a viabilidade do negócio, o coordenador explica que geralmente a própria distribuidora realiza o investimento.

Nesse caso, complementa Ricardo, a vantagem para a empresa é que o posto firmará um contrato e comprará o gás fornecido pela mesma. “Ganhamos na quantidade do combustível que o posto puxar do duto”, ressalta ele.

Ricardo esclarece também que a distribuidora irá negociar com qualquer estabelecimento interessado em receber o gás, e não apenas com os que representam sua bandeira. “Além disso, nada impede que um bandeira branca execute o investimento. A diferença é que ele passará a comprar o gás direto. Isso já existe em grandes cidades e já há até linhas de financiamento”, afirma o coordenador.

Vantagens

O GNV é uma mistura de elementos, cujo principal componente - cerca de 93% - é o metano. É armazenado sob alta pressão, em tanques especiais que passam por testes rigorosos para garantir a segurança da sua utilização em veículos.

O coordenador de vendas da distribuidora aproveita para destacar as qualidades do gás em relação aos outros combustíveis. “Além de não poluir tanto o meio ambiente, faz com que o carro consuma menos e é mais barato que o álcool e a gasolina”, assegura ele.

Segundo Ricardo, com um metro de cúbico de gás é possível rodar até 20 quilômetros. “Já com a gasolina, dependendo do modelo, roda-se de 13 a 15 quilômetros/litro e com o álcool esse valor é ainda menor”, compara.

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Taxistas aprovam vinda

Os taxistas são unânimes em aprovar a vinda do GNV a Bauru. Um deles, Orlando Corrêa Júnior, há dois anos na atividade, afirma que não pensaria duas vezes em converter seu Escort movido à álcool para gás. “Mesmo que isso seja caro, depois recupero rápido, pois rodo muito”, diz ele, que percorre diariamente cerca de 60 quilômetros.

Orlando pondera que a conversão traria várias vantagens. “Além de ficar mais barato para abastecer, teria maior autonomia para circular em comparação com o álcool ou a gasolina. Atualmente, está difícil trabalhar com estes combustíveis”, considera ele.

Igual linha de raciocínio adota outro taxista, Lázaro Francisco Sornas, que atua há 26 anos na profissão. Para ele, a vinda do GNV seria um alento para a atividade, que sofre com os altos preços dos combustíveis. “Gasto mensalmente R$ 1.200,00 só de álcool”, afirma.

Entretanto, Lázaro enfatiza que de nada adiantaria o Gás Natural Veicular chegar à cidade se o preço não for atrativo. “Se for alto também, não compensa”, frisa o taxista.

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Custos inviabilizam

O anúncio da vinda do GNV para Bauru não entusiasma os donos de postos a comercializar o combustível no varejo. O motivo é simples: o custo necessário para adaptar o estabelecimento.

Róbson Paim Costa, proprietário de um posto no centro, é um dos que não se interessariam em ofertar o GNV. “Me informei em São Paulo a respeito e conclui ser inviável em razão do investimento exigido ser absurdo. Com este dinheiro daria para comprar dois postos completos em Bauru”, revela.

Além disso, ele acrescenta que o mercado consumidor da cidade não seria tão grande a ponto de justificar um investimento tão alto e tornaria o retorno demorado e incerto. “Há dois anos, na capital, existia 30 postos de abastecimento de GNV, número que não cresceu tanto. Lá o mercado já absorveu o que podia e está saturado”, considera Róbson.

O empresário enfatiza, ainda, que até oficinas teriam dificuldade para disponibilizar as conversões a eventuais interessados. Mais uma vez, a razão é financeira. “Conversei com um proprietário em São Paulo que gastou cerca de R$ 100 mil em equipamentos e treinamento de pessoal para poder executar os serviços nessa área”, afirma ele.

Para o comerciante, o gás só seria viável em Bauru para segmentos específicos, como os frotistas e taxistas, que rodam muito e tornam os recursos investidos altamente compensadores em um espaço de tempo menor.