08 de julho de 2026
Articulistas

Vida, dignidade e esperança!


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Não seja porque o idoso tenha, geralmente, a pele enrugada, os cabelos esbranquiçados e o andar lento e dificultoso que possa ser tachado de doente, pois isso é uma teoria inverossímil, uma vez que a velhice não é doença. Afirmam-no os geriatras, para os quais tudo aquilo se trata, isto sim, de um período de vida que, circunstancialmente, pode ser tão bem vivido como os outros, que nada denunciam aos que os observam. Pari-passu, uma religiosa, mentora de um asilo de velhos, arrisca também sua opinião: “Não acho a velhice uma doença, como as que atingem no mundo milhares de homens e mulheres. Entendo ser ela a plenitude das pessoas, que no decurso de suas vidas crescem plenamente e, então, estão na hora não de descansar, mas de gozar dos frutos de paciência, tranqüilidade e experiência que acumularam durante suas dezenas de anos.” Já outro entrevistado pelo jornalista desabafa, escondido em suas 60 alvoradas, das quais 20 como aposentado das atividades profissionais: “Não pode o idoso ser avaliado como um carro velho ou uma máquina que deixou de funcionar, com o motor quase fundido. Testemunha do tempo que passa sem parar, ele não precisa de esmola e, sim, unicamente, do amor de todos os semelhantes e de direitos inegáveis da Justiça. Nada além, sem pensar nas suas dificuldades e que esteja caminhando para o último degrau. E o faz, justificadamente, sorrindo”.

Está a sociedade levando a efeito a tradicional Campanha da Fraternidade, dedicada ao idoso, a quem oferece vida, dignidade e esperança! Estaria ela plenamente imbuída de seus deveres para com os gerontinos, com os quais tromba a todo momento nas esquinas da vida? Tem estimulado as famílias no sentido de preparar os pais e avós idosos para esperar e enfrentar corajosamente o processo de envelhecimento, que um dia há de acontecer, ensinando-lhes a conservar o máximo de capacidade orgânica e psíquica, bem como de ajustamento social, do qual têm direito de desfrutar por tempo indefinido? Certamente, se ainda não o faz seria válido fazê-lo, antes que também envelheça, destino da maioria das instituições, já que o hoje é sempre mais velho que o ontem! E, dessa forma, sucessivamente, sem que ninguém possa desmentir! É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)