10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Truculência - Outro ponto de vista


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Achei oportuno tornar público um outro ponto de vista sobre os acontecimentos que levaram o leitor Dirceu Alves da Silva Júnior a relatar, nesta última quarta-feira (16/4), que presenciou, acompanhado de sua família, a operação da Seplan de apreensão de mercadorias que estavam sendo vendidas, infringindo a legislação. Meu objetivo é levar o leitor a uma simples reflexão: não haveria necessidade de fiscalização se os próprios consumidores tivessem consciência.

Explico melhor: sou lojista estabelecido há 33 anos na principal rua do comércio de Bauru, a Batista de Carvalho. Pago IPTU (o mais caro da cidade por metro quadrado), pago impostos municipais. Pago taxa de conservação do Calçadão, para que sejam tampados buracos na calçada, evitando que o consumidor tropece ao caminhar e para que sejam trocadas as lâmpadas dos postes, proporcionando maior segurança para quem caminha à noite. A entidade da qual faço parte da diretoria, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Bauru, sempre colabora com a Polícia Militar, com a Emdurb e com a prefeitura em ações que visam vários tipos de benefícios aos consumidores. Pago tudo isto e não reclamo.

Abro a minha loja todos os dias às 9h, mesmo nos dias chuvosos, quando sei que não haverão clientes; abro também nas últimas semanas de todos os meses, quando o salário do povo já praticamente acabou e ninguém compra nada. Abro a minha loja no Bauru Shopping todos os domingos, mesmo aqueles nos quais sei que não irá vender nada.

Poderia abri-la somente no primeiro ou segundo domingo do mês, mas acho falta de respeito com o consumidor que precisa da segurança de ver o estabelecimento aberto à sua disposição. Tenho todos estes custos e não reclamo. Mas eu lamento cada vez que vejo consumidores, por comodismo, comprando móveis, cofres, roupas e várias outras coisas aos sábados na Praça Portugal, diante de caminhões provenientes dos confins do País. Experimente voltar lá numa segunda-feira chuvosa para reclamar defeito no produto.

O consumidor consciente, que almeja o progresso da sua cidade, deveria pensar nisto tudo antes de sair comprando de qualquer pessoa, que não recolhe impostos, não gera empregos e ainda leva o lucro obtido com a venda para fora da cidade, dinheiro que não volta mais. Caso contrário, será preciso mudar a lei, para permitir também que médicos de outras cidades instalem barracas nos gramados da Praça Portugal e façam consultas aos interessados. E o retorno da consulta? Ah, o retorno só pode ser no próximo sábado, se não chover. (Sérgio Motta Filho - RG 18.816.796)