08 de julho de 2026
JC Criança

Brincar de jogar é bom demais!

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 7 min

Jogo de bola, de pião, de búrica, de tabuleiro... são tantos tipos de jogos diferentes que, às vezes, a gente até esquece de jogar e brincar.

É fácil encontrar gente que passa mais tempo sozinho no computador ao invés de brincar com os amigos. Como diz o arte-educador Guilherme Reis, 36 anos, muito conhecido pela garotada por Tio Gui, é muito mais legal ter um amigo de carne e osso, que a gente pode abraçar e brincar, do que um amigo virtual, com quem só dá para teclar. “É melhor sentir o corpo inteiro do que só as pontas dos dedos.”

O Tio Gui é uma criança grande, que não perde uma oportunidade de brincadeira. As atividades que o Tio Gui mais gosta são os jogos. “Para mim, tudo vira um jogo e jogo para divertir”, comenta. Isso porque o Gui acredita que quem brinca, mesmo adulto, é mais feliz.

“Existem muitos jogos para adultos. É que eles se esquecem como é gostoso!” O que é uma grande verdade. O dia está frio? Chame alguns amigos e inicie uma aventura pelos jogos de tabuleiro. Além de divertidos, existem jogos educativos, que ensinam na brincadeira. “Eu aprendi onde ficam os países jogando War”, lembra Tio Gui.

A mestre em assentamentos humanos pela Unesp-Bauru e docente do Espaço Pedagógico de Bauru Leila Fernandes Arruda, que também é professora de filosofia da educação e didática, fala da importância em estimular os jogos. “O jogo é uma representação. A linguagem oral é o instrumento do jogo”, comenta. Para ela, os jogos atendem às necessidades das crianças, como por exemplo na forma como elas se relacionam durante a atividade e estimulando o desenvolvimento do corpo e da mente.

“O jogo traz a possibilidade de vivenciarmos diferentes sentimentos e experiências”, acrescenta. Ela dá como exemplo sensações e sentimentos que o jogo proporciona, como alegria, ciúme, inveja, a possibilidade de interação, a competição, o estímulo a astúcia, entre outros. “Os jogos nos permitem lidar com os sentimentos bons e também com os ruins”, acrescenta.

É fácil entender. Lembra aquele dia que você estava jogando com a turma e não houve meio de ganhar? Você ficou com um bico “desse tamanho” e não quis mais brincar. É quando a gente fica com uma certa “invejinha” do vencedor, isso é normal, mas não precisa deixar a brincadeira de lado. Afinal, jogo é jogo!

Aliás, isso é um toque importante que o Tio Gui gosta de frisar. “Antes de começar qualquer jogo, é fundamental que todos saibam direitinho das regras, assim evita discussões sem sentido. Outra coisa, na maioria dos jogos há sempre um vencedor ou equipe vencedora, por isso, nada de bico!” Amanhã, o vencedor pode ser você, afinal, gostoso é marcar outra tarde de jogo para fazer “a revanche”.

Nessa história de mudanças de emoções durante o jogo, Leila dá um exemplo curioso, que mostra como a gente se sente em alguns jogos. “O ‘Está pronto seu lobo?’, em que as crianças ficam em tocas e apenas uma é o lobo, é um jogo coletivo, de roda. Fora da roda, a criança pode ser capturada pelo lobo e na casinha está protegida. Isso causa uma sensação parecida a do pescador”, comenta ela.

Sabem por quê? É que no jogo você tem momentos em que precisa sair correndo para fugir do lobo, ou seja, muita emoção, e outros em que está tranqüilo, protegido na casinha. Na pesca é a mesma coisa. “O pescador chega a ficar horas sob o sol quente esperando uma fisgada, quando o peixe vem, é muita emoção”, explica Leila.

Jogar e aprender

Minha mãe falava: “Você sabe a letra de tantas músicas difíceis, mas não consegue ‘decorar’ as questões de geografia”. A gente tem facilidade em aprender na brincadeira. Com isso, existem vários jogos que são usados em sala de aula para a meninada realmente entender com facilidade.

Leila lembra de Célestin Freinet, educador do século 20, que considerava os jogos tão importantes que os classificou como trabalho. “Para Freinet, os jogos correspondiam às necessidades das crianças”, comenta a educadora. Ele formatou a sua pedagogia, que ensina de forma participativa, com muitos jogos.

As regras do jogo

Como tudo na vida, até para brincar existem regras. Nos jogos, as regras são fundamentais para dar andamento à atividade, caso contrário vira uma bagunça e ninguém se diverte. Em alguns casos, as regras são modificadas em comum acordo com todos os jogadores. Se um não achar legal a mudança, pode ficar chato jogar. Aí, fim da brincadeira.

A sugestão do Tio Gui para que a brincadeira de jogar seja prazerosa é escolher jogos para a sua idade. “Além disso, todos têm que saber o que pode e o que não pode fazer, assim todos estarão em condições de ganhar”, orienta.

Aliás, em jogos competitivos, onde há um vencedor, todos querem ganhar, mas é sempre bom lembrar que apenas um sai vencedor. Tem que manter o espírito esportivo.

Ah! E tem aqueles jogos que são chatos. São aqueles que vão eliminando os jogadores. Se você já sai na primeira rodada, dá até preguiça de esperar a turma acabar para jogar mais uma vez. Esse tipo de jogo só dá certo se for bastante rápido.

Inventar jogos

Sabe aquele filme “Quero ser grande”? Bom, se não sabe, é a história de um garoto que queria ser adulto. E conseguiu, mas ficou com a mesma mentalidade. Resultado: ele era um moço enorme, mas queria brincar de jogos, ir no parque e se divertir. Sabe onde ele foi trabalhar? Em uma fábrica de brinquedos. Já pensou?

Apesar de não ser uma tarefa fácil, existem pessoas que criam jogos, definem suas regras e como irão funcionar. A criançada também exercita o seu lado criativo quando inventa um jogo novo, modifica regras e chama a turma para jogar.

Para o Tio Gui, o melhor jogo é aquele que traz satisfação para os jogadores. “Independente de ganhar ou perder. O gostoso é jogar”, conta Guilherme. Finalizando, Tio Gui fala um pensamento curioso. “Se o George W. Bush e o Saddam Hussein tivessem brincado juntos na infância, talvez não haveria essa guerra chata. Eles poderiam resolver essas questões com um jogo, sem prejudicar as outras pessoas!”

Existem vários tipos de jogos, os teatrais, competitivos, simbólicos, pedagógicos, participativos, de guerra, de mesa, de roda, enfim, uma série deles. Jogo que só precisa de gente, outros que precisam de tabuleiro. Muitos dos jogos de tabuleiro como dama e xadrez, por exemplo, ajudam a estimular o raciocínio, a criar estratégias e até colabora na matemática.

Jogar é uma forma de fixar informações. Por isso, escolha bem os seus jogos e prefira aqueles que, além de divertir, também proporcionem novidades para você.

Imperdível

No dia 18 de maio, o Tio Gui estará com o JC Criança e o programa JC na Escola realizando brincadeiras com a garotada, no estacionamento do Jornal da Cidade. Fique ligado, pois o cupom será publicado na próxima edição.

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Dica de jogo com recicláveis do Tio Gui

Material: copos descartáveis, papelão, fita adesiva, jornal e revista velhos.

Como fazer: Faça a sua mesa de sinuca com os copinhos colados com fita, nos cantos da mesa.

Proteja as lateriais para as bolinhas não caírem com papelão. Faça as bolinhas com papel amassado e o taco com folhas de jornal enroladas, e coladas com fita adesiva.

As regras vocês decidem.

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Jogo de stop

Material: papel, caneta e amigos.

Como fazer: os participantes decidem o que vão colocar na ficha para preencher com palavras. Aquele que terminar primeiro de preencher as palavras com a letra escolhida fala “stop” e começa a contagem. Por exemplo, se na ficha tem: Nome, Animal, Cor, Flor, Fruta, Cidade e Carro. Escolhe-se uma letra do abecedário, pode ser com os dedos, e começa o jogo. Cada participante deve escrever uma palavra de cada item com a letra escolhida. Exemplo: letra A. André, anta, azul, azaléia, amora, Araraquara, Astra. Se todos tiverem preenchido, as palavras diferentes recebem 10 pontos, as repetidas 5 pontos e a palavra que não foi preechida não leva ponto. No final da brincadeira, que demora e é gostosa, vence quem fez mais pontos.