Macatuba - A comemoração da Sexta-feira da Paixão em Macatuba (45 quilômetros a Sudeste de Bauru), que chega este ano a 33.ª edição, é a mais antiga da região.
A organizadora do evento, Doralice Maria Artiole, destaca o papel pioneiro da cidade nas encenações dos últimos dias de Cristo na Terra. “Para não dizer todas, a maioria das cidades veio copiar da gente. Assitiu, filmou, entrevistou, visitou. E a gente sempre abriu o guarda-roupas, mostrou”, diz.
As encenações em Macatuba são diferentes das demais, pois dividem-se entre todos os dias da Semana Santa. A primeira deste ano aconteceu no último domingo, quando foi encenada a entrada de Jesus em Jerusalém. Anteontem, porém, foi o ponto máximo da seqüência de cenas: prisão, julgamento, crucificação e ressurreição de Cristo.
Doralice explica o motivo da fragmentação. “Como nós seguimos muito a liturgia da Igreja, essa semana realmente começa no Domingo de Ramos, com a entrada de Jesus em Jerusalém e termina com a ressurreição, no sábado. São as várias etapas dessa via-crucis”.
Doralice, que não exerce nenhuma função na Igreja, centraliza a organização e coordenação do evento, apesar de contar com cerca de 70 pessoas no apoio.
Há 33 anos, ela dirigia um grupo de teatro amador em Macatuba e foi convidada pelo padre José Corsini para encenar a Paixão de Cristo. “Aí, ele (o padre) faleceu em 83, eu fiquei com a coordenação e estou até agora”, conclui Doralice, de 60 anos.
Evento
Às 16h30 de anteontem, a frente da Paróquia Missionária de Santo Antonio de Macatuba foi ocupada por cerca de 2.500 pessoas que assistiriam à encenação.
A apresentação teve início com a entrega de Jesus Cristo por Judas, que culminou com a prisão do Messias. O teatro continuou com o julgamento e condenação de Cristo por Pôncio Pilatos, governador romano. Julgado e condenado, Jesus seguiu para o calvário, que, na comemoração da cidade, é representado por uma procissão de 3,5 quilômetros, trecho que liga a paróquia ao Clube Esportivo de Macatuba. No clube, Jesus foi crucificado, morto e ressuscitou.
O público de Macatuba aprovou. A senhora Maria de Lurdes Mariano, de 74 anos, foi batizada, recebeu a primeira comunhão e a crisma na Paróquia de Santo Antonio. Há 21 anos assiste a cerimônia e participa da procissão.
Anísia Ferreira, de 73 anos, mora em Macatuba há 25 anos e adora a encenação. “A gente tem que acompanhar Jesus”, declara.
Cristo em cena
O aposentado Braz Ariosvaldo Gabriel é o ator que representa Cristo há 14 anos e, anteontem, sentiu “a emoção de como se fosse a primeira vez”, disse. Comovido, ele comentou a gratificação que sente em interpretar o Messias e confessou que sofre para fazê-lo. “O pior trecho de toda encenação é o tempo que você fica na cruz, suspenso. Começa a dar dormência nos braços, a respiração se torna afogante. Então, a hora que abaixam os braços, a gente sente uma sensação de vida novamente. É muito bom”, diz.
Evangelização
A coordenadora do evento, Doralice, diz que o principal objetivo do evento é a evangelização.
Doralice explica porque faz a encenação. “Deve ter sido muito importante porque faz 2003 anos que falam no homem (Jesus). Eu creio nisso, que eu levo um pouquinho de fé, um pouquinho de conforto para essas pessoas.”