08 de julho de 2026
Regional

Presos da cadeia conversam por celular

Por Cláudio Dias | Tribuna Impressa
| Tempo de leitura: 3 min

Araraquara - Alguns presos detidos na Cadeia de Araraquara (130 quilômetros a Nordeste de Bauru) estão mantendo contato com familiares via telefone celular. O fato, que estaria acontecendo há alguns meses, teria sido intensificado nas últimas semanas com o temor dos detentos de serem remanejados para unidades prisionais distantes do município. A direção afirma desconhecer o fato.

De acordo com o parente de um preso quem manteria um celular escondido numa das celas, as ligações ficaram constantes a partir das definições sobre a desativação da cadeia. A pessoa, que não quis repassar o número do telefone, confessa que a comunicação não é diária, mas como prefere dizer, “acontece sempre”.

A reportagem não conseguiu apurar especificamente quantos aparelhos celulares estariam em uso na unidade, nem exatamente onde eles estariam escondidos, apesar da denúncia de um outro parente apontar três telefones. Segundo o próprio informante, as ligações seriam feitas aos familiares e colegas, procurando saber da situação penal, dos amigos e também dos familiares.

Sobre a possibilidade dos presos criarem planos de resgate via telefone celular, o familiar afirma que esse assunto nunca foi cogitado durante as conversas devido a própria segurança da unidade, que é considerada eficiente. A pessoa prefere não comentar se os telefonemas seriam utilizados para encomendar drogas para entrarem durante as visitas ou armar planos fora das grades.

Nas últimas ligações, este preso teria dito ao familiar sobre o medo de ser remanejado para alguma unidade da Capital. Esse detento, que já seria condenado, continuaria à espera de vaga no sistema prisional. A pessoa prefere não dizer se as ligações seriam feitas normalmente ou a cobrar.

A reportagem apurou junto a familiares que os telefonemas dos presos seriam feitos com os próprios créditos de ligações. Apesar disso, não foi possível descobrir se os aparelhos são pré ou pós-pagos. Segundo informação dos detentos passadas aos familiares, o clima dentro da unidade estaria de certa forma tenso devido à agitação em saber sobre as transferências, ainda não confirmadas.

Os presos estariam reclamando das condições subumanas de algumas celas da unidade. Na verdade, a reportagem mesmo verificou alguma vezes que as paredes estão infiltradas e tem muita umidade nas celas. Há cerca de dois meses, as fotos de mulheres nuas pregadas nas paredes foram retiradas. Mesmo assim, a situação ainda é crítica e totalmente anti-higiênica.

O diretor da unidade prisional, Arnaldo José D’Avoglio Filho, afirma desconhecer qualquer contato dos presos por celular. Ele admite que aparelhos possam existir, mas enfatiza que se soubesse onde estão, tomaria medidas para retirá-los. “Revistas são feitas diariamente nas celas, mas nossos funcionários não encontram nada”, lembra.

No último dia 9, carcereiros frustraram a fuga de 14 presos da cela quatro encontrando um túnel cavado no sentido do corredor que dá acesso à entrada da unidade. O clima no presídio ficou tenso. As celas quatro e seis foram desativadas; todas as audiências e as visitas de familiares e os banhos de sol foram cancelados.

Um princípio de rebelião foi promovido, ocasionando uma ação de contenção de revistas nas celas. Os presos foram retirados dos xadrezes, um a um, e mandados apenas de cueca ao pátio da unidade. Na revista geral, apenas um carregador de celular foi encontrado. No final do tumulto quatro presos acabaram sendo transferidos à Penitenciária Regional de Araraquara.

Em 21 de fevereiro, após denúncia não confirmada sobre uma arma, a direção da cadeia determinou que investigadores da Polícia Civil e a tropa de choque da Polícia Militar fizessem uma operação de revista “pente-fino” na unidade.

Ao todo, foram quase três horas de trabalho e apenas um pequeno buraco e uma corda foram encontrados. Os policiais e os carcereiros vasculharam todas as celas e não acharam nenhum telefone celular.