10 de julho de 2026
Regional

Falta de condições de higiene na cozinha revolta os funcionários

Por Cláudio Dias | Tribuna Impressa
| Tempo de leitura: 2 min

Araraquara - Carcereiros da Cadeia de Araraquara já estão acostumados com a sujeira dentro da unidade, entretanto, a falta de higiene na cozinha está causando revolta nos funcionários.

Nessa última semana, o lixo de comida e outros produtos encontravam-se espalhados pela entrada. A sujeira estaria fazendo com que eles comessem numa outra sala, distante da cozinha devido ao incomodo das baratas.

Conforme solicitações de apoio feitas pelos funcionários à reportagem, a sujeira dentro da cadeia é constante. Segundo eles, o lixo na cozinha da unidade teria passado do limite suportável. Os funcionários acusam o governo do Estado de São Paulo de descaso.

A comida dos funcionários e também dos presos deveria ficar isolada na cozinha, mas a sujeira já chegaria nas marmitas e nos mantimentos guardados nos armários. Informações apuradas pela reportagem dão conta de que os carcereiros trabalham em turnos de 12 horas, sendo impossível sair da unidade nesse período.

Devido à falta de higiene, alguns funcionários estariam fazendo só uma refeição e deixariam a segunda para quando chegar em casa. Um carcereiro, que preferiu não se identificar, conta que a limpeza externa da unidade por algumas vezes estaria sendo feita pelos agentes, pois, ao contrário dos distritos policiais, onde há servidores públicos municipais auxiliando na limpeza, na cadeia ninguém fica responsável por esse serviço.

A limpeza dos corredores de acesso às celas como a rotina da entrega de alimentação seria efetuada por presos conhecidos como “faxinas”. Apesar disso, a limpeza externa está sem ninguém. Na semana passada, a reportagem encontrou marmitas cheias espalhadas pela entrada da unidade. Nos latões de lixo, sacos e caixas com produtos alimentícios e de limpeza, favorecendo a proliferação de insetos.

O diretor da cadeia, Arnaldo José D’Avoglio Filho, esteve na última sexta-feira fazendo exames médicos e não pôde conversar sobre o fato com a reportagem.

Além dos problemas estruturais, a cadeia estaria devendo R$ 4,1 mil em energia elétrica acumulada em dois meses, pois a verba estadual não foi repassada. A última informação da situação da unidade dá conta de que a remoção dos presos será gradativa. Para a semana passada, estava marcada a transferência de 50 presos, porém, nenhuma lista confirmando o fato foi divulgada.

A listagem já foi apresentada à Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). De acordo com balanço de março, quase 50 detentos estavam condenados, mas ainda permaneciam na cadeia, aguardando transferência para penitenciárias. A maioria dos presos está recolhida por crimes como roubo e furto.

A prefeitura já liberou funcionários e materiais de construção para a reforma da cadeia - que será transformada em Centro de Ressocialização feminino para 90 reeducandas, mas o Estado ainda não cumpriu a promessa. Após a desativação, os presos em flagrante devem ficar 48 horas na cadeia de Américo Brasiliense e depois encaminhados para presídios da região noroeste.