03 de abril de 2026
Cultura

Super Liga Katólika: o retorno

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

Nenhum nome da música bauruense marcou tanto uma época como o grupo de rock Super Liga Katólika. A banda, criada em 1979, agitou as noites de Bauru, das cidades da região e também da Capital, cantando covers de grupos famosos e composições próprias até 1992, quando os integrantes resolveram seguir caminhos distintos.

Com um show realizado ontem, na Associação Atlética de Barra Bonita, a banda marcou oficialmente a sua volta aos palcos. “Vamos tentar reviver o velho rock bauruense e, quem sabe, até tocar em alguns daqueles lugares onde nos apresentamos naquela época” anuncia o guitarrista Valmir Marques, um dos três integrantes remanescentes da formação original do grupo.

A Super Liga surgiu - como uma infinidade de outros grupos de rock brasileiros e estrangeiros - com a decisão de amigos de escola de formar uma banda. Marques, o vocalista Eraldo Bernardo, o baterista André Villela e o baixista Cláudio Turtelli eram alunos do curso secundário da antiga Fundação Educacional de Bauru. “Cada um tinha uma formação musical”, lembra Bernardo, que cantava em um coral.

Quando começou, o nome do grupo era Épiko. Logo depois sofreu uma série de alterações, mundado para Seda Pura Rock Brasil, Major Rock Blues Band, e O Olho da Má Sorte do Pequeno Deus Amarelo, até chegar ao quase definitivo Super Liga Katólika.

Quase porque a grafia do nome ao longo dos anos teve várias alterações como comprovam os arquivos de reportagens e shows do grupo guardados por Villela. As principais foram a inclusão (e posterior exclusão) de um “h” no Katólika e a original grafia K.Tóli.K (para não revelar tendências religiosas - brincavam em uma reportagem de 1984 para o JC).

“O nome é uma brincadeira com a palavra católica, que na origem grega significa universal, como a gente queria que fosse nosso som e a Liga das Senhoras Católicas da época”, explica Bernardo.

As primeiras apresentações da Super Liga começaram a ficar populares graças àquele que talvez seja o maior mérito do grupo: o fato de ter composições próprias falando sobre a realidade dos jovens e a vida em Bauru no início dos anos 80. “A gente tocava músicas dos nossos ídolos: Beatles, Rolling Stones, Rod Stewart e Iggy Pop. Mas a gente sempre teve músicas próprias, desde quando nos juntamos para formar a banda”, conta Marques.

“Começamos a aparecer mesmo no antigo 3x4, do João Cabrera, que ficava perto da igreja Santa Terezinha”, lembra Bernardo. “Ele foi a primeira pessoa a nos apoiar”, completa.

Quando passaram a tocar no templo do rock bauruense, o Armazén Bar, o grupo começou a fazer história. São dessa época (de 80 a 85) os grandes sucessos da Super Liga: “Natália” e “Menina da P.T.”.

A primeira, um singelo convite a uma garota para passear: “Faz mais de uma hora e meia/Que eu preciso te encontrar/Descolei numa boa/Um lugar pra passear/Passear de navio/Vamos para o rio Natália”, são os principais versos da música. Ao vivo, o nome da personagem era trocado algumas vezes por Batalha, lembrando do ribeirão que passa pela cidade.

O tema central era o mesmo mas a abordagem era outra na irreverente “Menina da P.T.”, uma homenagem às prostitutas que trabalhavam na Praça Pedro de Toledo. “Até passei Patchuli/Só pra te ver/Cheguei era o quinto/Esperando por você/No viaduto/Da Vila Falcão/Mascando chicletes/Com a grana na mão/Ela não tem medo/Da Pedro de Toledo”, diz a letra assinada por Turtelli.

As duas músicas - obviamente - não vão ficar de fora dos shows da renovada Super Liga, que conta com o baixista Reinaldo Lima no lugar de Cláudio Turtelli. “Vamos tocar tudo o que já fizemos, os clássicos dos Stones, aquelas que sempre tocamos e também músicas dos grupos mais novos que a gente gosta, como Pearl Jam e The Wall Flowers”. O retorno promete.