“Tem gente que não está nem aí. Pode ter mil lixeiras.” O varredor Ednilson Arcanjo, funcionário da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), observa diariamente os maus comportamentos do bauruense. Confira trechos da entrevista concedida ao JC.
- Jornal da Cidade - Como é o seu trabalho?
- Ednilson Arcanjo - É muito lixo jogado na rua. O povo vê o carrinho, mas quer jogar no chão. O que está faltando são lixeiras no Centro da cidade. Assim diminuiria um pouco a sujeira. A gente trabalha demais. A gente acaba de varrer, e o povo joga atrás de você. Quando você olha para trás, nem parece que foi varrido. A maioria é mal-educado. Para eles acho que é divertimento pegar o lixo e jogar no chão.
- JC - Você acha que mais lixeiras resolveriam o problema?
- Arcanjo - Resolver, resolver não iria. Mas daria uma quebradinha na sujeira. Pelo menos os bem-educados veriam a lixeira e não teriam como falar que jogam no chão porque não tem lixeira. Tem gente que não está nem aí. Pode ter mil lixeiras. O Calçadão tem tanta lixeira, mas está sempre cheio de lixo no chão.
- JC - O que você encontra nas ruas?
- Arcanjo - Quer que eu fale? Camisinha usada, rato que a turma mata e joga na calçada, sacolas com comida azeda. Ali (Praça Dom Pedro II), todo dia de manhã é copo, papel, garrafa descartável, latinha de refrigerante, maço de cigarro, tudo o que você imaginar. No Calçadão, a lixeira fica cheia de papel higiênico, comida estragada, roupas íntimas.
- JC - Os catadores de lixo atrapalham?
- Arcanjo - Um pouco eles atrapalham. No dia seguinte, parece que você não varreu. Os catadores vêm fazendo arruaça na rua. Se eles acham caixas com lixo, eles não estão nem aí e esparramam tudo.
- JC - Os comerciantes do Centro varrem as calçadas?
- Arcanjo - É muito difícil encontrar os que varrem. De dez, você pode tirar três. A maioria não varre. E aqueles que varrem, jogam tudo na guia. Não adianta nada.