09 de julho de 2026
Bairros

Varredor diz que nem lixeiras seriam solução

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

“Tem gente que não está nem aí. Pode ter mil lixeiras.” O varredor Ednilson Arcanjo, funcionário da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), observa diariamente os maus comportamentos do bauruense. Confira trechos da entrevista concedida ao JC.

- Jornal da Cidade - Como é o seu trabalho?

- Ednilson Arcanjo - É muito lixo jogado na rua. O povo vê o carrinho, mas quer jogar no chão. O que está faltando são lixeiras no Centro da cidade. Assim diminuiria um pouco a sujeira. A gente trabalha demais. A gente acaba de varrer, e o povo joga atrás de você. Quando você olha para trás, nem parece que foi varrido. A maioria é mal-educado. Para eles acho que é divertimento pegar o lixo e jogar no chão.

- JC - Você acha que mais lixeiras resolveriam o problema?

- Arcanjo - Resolver, resolver não iria. Mas daria uma quebradinha na sujeira. Pelo menos os bem-educados veriam a lixeira e não teriam como falar que jogam no chão porque não tem lixeira. Tem gente que não está nem aí. Pode ter mil lixeiras. O Calçadão tem tanta lixeira, mas está sempre cheio de lixo no chão.

- JC - O que você encontra nas ruas?

- Arcanjo - Quer que eu fale? Camisinha usada, rato que a turma mata e joga na calçada, sacolas com comida azeda. Ali (Praça Dom Pedro II), todo dia de manhã é copo, papel, garrafa descartável, latinha de refrigerante, maço de cigarro, tudo o que você imaginar. No Calçadão, a lixeira fica cheia de papel higiênico, comida estragada, roupas íntimas.

- JC - Os catadores de lixo atrapalham?

- Arcanjo - Um pouco eles atrapalham. No dia seguinte, parece que você não varreu. Os catadores vêm fazendo arruaça na rua. Se eles acham caixas com lixo, eles não estão nem aí e esparramam tudo.

- JC - Os comerciantes do Centro varrem as calçadas?

- Arcanjo - É muito difícil encontrar os que varrem. De dez, você pode tirar três. A maioria não varre. E aqueles que varrem, jogam tudo na guia. Não adianta nada.