Com a aproximação do fim dos trabalhos das Comissões Processantes (CPs) que apuram irregularidades contra os vereadores Walter Costa (PPS), Osvaldo Paquito (PPS), Roberto Bueno (PTB) e José Humberto Santana (sem partido), entidades de Bauru começam a programar manifestações com o objetivo de chamar a atenção da população para o assunto.
O Fórum de Discussões por Bauru está distribuindo desde a última semana 60 mil panfletos que pedem a cassação dos vereadores. “Pretendemos, com isso, conscientizar as pessoas”, afirma o presidente do Fórum, César Ferreira.
Segundo ele, 40 mil cópias do manifesto já foram entregues. “As que restaram serão distribuídas de amanhã até quinta-feira. Vamos procurar os locais de grande concentração popular, como as feiras livres e o Centro da cidade.”
A diretora do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm), Idelma Corral, explica que o órgão deve continuar fazendo protestos em parceria com a Central Única dos Trabalhadores (CUT). “Já foi assim na primeira fase, quando organizamos a lavagem da escadaria da Câmara Municipal e entregamos pizzas e marmelada para a população.”
Para ela, o que falta para que os moradores de Bauru tenham uma maior participação no processo é informação. “Boa parte deles não tem acesso ao que está acontecendo, e com isso, se tornam alheios.”
O vice-presidente do Sindicato dos Eletricitários, Jesus Garcia, acredita que a fase final das CPs é o momento certo para aumentar a vigilância. “A pressão é a única maneira de se evitar que esses vereadores escapem da cassação. Para isso, vamos intensificar o acompanhamento das sessões.”
Para o sindicalista, só há um desfecho possível para o caso. “Nossa posição é clara. Não precisava nem de Comissão Processante. A expectativa é de que eles sejam afastados.”
Garcia, que também é membro do Diretório Estadual do PT, afirma que vai ficar de olho no voto do vereador José Carlos Batata (PT), que foi contra a instalação de CP para Roberto Bueno. “O partido tem por princípio combater a corrupção. Se ele se comportar de maneira diferente, podemos até acionar a Comissão de Ética.”
Oração
O diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, Marcos Silvestre, conta que a entidade também está se organizando. “Vamos fazer uma reunião na terça-feira e discutiremos propostas que serão encaminhadas à CUT.”
Ele afirma que a idéia do sindicato é ampliar a abrangência dos protestos. “Além das CPs dos vereadores, queremos uma investigação rigorosa no caso da compra de carnes pela Prefeitura Municipal.”
Silvestre diz que falta uma mobilização popular mais efetiva. “Bauru tem uma tradição de luta da sociedade que precisa ser retomada. Por enquanto, a participação ainda está abaixo do necessário.”
Já o Conselho Diocesano de Leigos e Leigas de Bauru, entidade que congrega lideranças da comunidade católica, aprovou em reunião realizada no final de março a realização das CPs.
O presidente do Conselho de Pastores Evangélicos de Bauru, Nilton Baro, diz que o órgão não vai manifestar qualquer posição sobre o assunto. “Nós estamos acompanhando o caso e orando para que seja feita a Justiça.”
Segundo ele, a cidade tem hoje oito vereadores ligados aos evangélicos, entre eles, Roberto Bueno. “Não sabemos como ele se comportou. Se não o fez de maneira correta, existem leis para puni-lo. Do contrário, Deus vai absolvê-lo.”
Baro conta também que chegou a falar com Bueno sobre as investigações. “Tive uma conversa com o vereador e ele me disse que as denúncias eram intriga da oposição, mas não acompanho a vida particular dele e não posso emitir uma opinião.”
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Ex-presidente e vice foram denunciados
As demais denúncias são contra o ex-presidente e o vice-presidente da Câmara, respectivamente Walter Costa e Roberto Bueno.
Contra Roberto Bueno (PTB) a denúncia versa sobre desmonte do setor administrativo e financeiro da Casa. O relatório final da Comissão Especial de Inquérito (CEI), elaborado por Santana, lançou que Bueno comandou alterações em setores estratégicos, afrontando portarias e resoluções.
Bueno contesta que não foi realizado desmonte na Casa e que apenas colaborava no setor de pessoal com o ex-presidente Walter Costa. Bueno era vice-presidente da Casa. O consultor financeiro da Câmara, Irineu Azevedo Bastos, afirmou, em depoimento, que ocorreu desmanche no setor financeiro.
A denúncia também questiona autorização de Bueno para pagamento na compra em duplicidade de um módulo de empilhamento para computador.
A requisição e a autorização para a compra, assim como o cheque, foram assinados por Bueno. Mas o vereador alega que quando da assinatura dos documentos não sabia que o mesmo equipamento já havia sido pago através de regular licitação. Ou seja, a Câmara pagou duas vezes e recebeu apenas um módulo de empilhamento.
A denúncia também aponta portarias e alterações promovidas pela Mesa Diretora na época em que Bueno era vice-presidente. O vereador contesta que só respondia pela presidência da Casa quando da ausência do titular, Walter Costa. Mas Costa não se licenciou em nenhuma oportunidade do cargo nos últimos anos, o que choca com a norma.
Sobre Walter Costa (PPS) pesam denúncias de omissão e negligência e por não ter exercido a vigilância em relação aos trabalhos desempenhados pelos seus subordinados diretos. Todas as denúncias de irregularidades levantadas até agora pesam em relação ao setor administrativo e financeiro da Casa, seja por compra superfaturada, produtos pagos e não entregues, seja pela emissão de resoluções e portarias em desacordo com as normas.
Walter Costa contesta que tenha tomado todas as providências necessárias para os casos que foram levantados contra sua gestão assim que as denúncias surgiram. O ex-presidente não foi incluído pela Promotoria em denúncia de improbidade pela compra superfaturada de aparelho data-show.
O sumiço de equipamentos e de materiais de consumo interno em sua gestão levaram à abertura de inquérito policial ainda em andamento. Costa alega que não tem como fiscalizar durante todo o tempo todos os funcionários e todas as funções, e que cabe a cada um as responsabilidades pelas atribuições próprias.