Bagdá - Jay Garner, 64 anos, o general designado pelos EUA para estabelecer um governo interino no Iraque, deve chegar hoje a Bagdá. Ele disse ao jornal americano “The Washington Post” que chegará à Capital iraquiana com 400 assessores, dando início ao processo de reestruturação pública do país.
Um de seus primeiros desafios será lidar com o autoproclamado “prefeito de Bagdá”, Mohammed Mohsen al Zubaidi. Ele já vem dando declarações sobre seus planos, apesar de não estar claro se sua autoridade será reconhecida pelos americanos. Al Zubaidi disse ontem que a nova Constituição deve advir da lei islâmica, uma tese que não é vista com bons olhos pelos EUA.
Membro do Congresso Nacional Iraquiano (CNI) - que é liderado pelo xiita Ahmed Chalabi e fazia oposição ao ex-presidente Saddam Hussein -, Al Zubaidi afirma ter sido eleito por um conselho interino de acadêmicos, xiitas, sunitas, cristãos e escritores.
Os EUA ainda não reconheceram plenamente essa eleição. Em sua entrevista ao “Post”, Garner disse: “Tudo o que nos importa é que os iraquianos estabeleçam um processo democrático que expresse o desejo livremente eleito pelo povo”. Mas o general não deu nenhuma previsão de data para que o governo do Iraque seja entregue aos iraquianos.
Em Washington, o presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, o senador republicano Richard Lugar, declarou que não crê ser possível a criação de uma democracia funcional no Iraque em menos de cinco anos.
Além desses problemas de ordem prática, Garner deve enfrentar a desconfiança dos iraquianos por causa de suas relações íntimas com Israel. Ele é um dos 42 oficiais reformados que assinaram uma declaração elogiando as forças israelenses por sua “destacada moderação” ao enfrentar a Intifada (levante palestino).
O general entretanto tem a reputação de extrema competência em administração logística, fama que consolidou durante o reassentamento da população curda no Norte do Iraque em 1991, após milhares deles terem fugido das forças iraquianas. Apesar disso, Garner não é unanimidade: ontem, o senador Lugar disse que o general reformado está mal preparado para a tarefa que enfrentará no Iraque.
Vida “normal’
Milhares de funcionários públicos de Bagdá compareceram aos seus locais de trabalho ontem, dia útil no Iraque, tentando recuperar objetos e equipamentos. Encontraram a maioria dos prédios públicos em ruínas ou saqueados.
“Não posso acreditar que iraquianos tenham feito isso. Esse não pode ser o Iraque intelectual e bem educado que eu conheço”, disse Nawal Abdel Kaim, funcionária pública há mais de 19 anos.