São Carlos - Uma nova célula do aterro sanitário de São Carlos entrará em operação hoje. A informação é do secretário Yashiro Yamamoto, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável, Ciência e Tecnologia (SMDS), e o anúncio oficial foi feito durante reunião realizada na semana passada, no aterro, com cerca de 40 catadores que ainda recolhem materiais recicláveis no local.
O encontro contou também com a presença do promotor de Justiça Edward Ferreira Filho do gerente local da Vega Engenharia Ambiental, a empresa responsável pela operação do aterro sanitário; da vereadora Géria Montanari; Fátima Bongiorno, representante do Fórum Comunitário do Lixo; da assistente social Maria Isabel Álamo Gabrine, da Secretaria Municipal de Cidadania e Assistência Social (responsável pelo acompanhamento técnico e apoio social aos catadores), entre outros.
A partir do funcionamento da segunda célula, Yashiro estima que a vida útil do aterro deve ser estendida em cerca de um ano e meio. “Não é muito, mas é tempo suficiente para adiantar o processo de construção de um novo aterro, mais amplo e em local considerado mais adequado”. Yashiro comenta, ainda, que a nova célula é necessária para evitar que o chorume armazenado na célula antiga, maior e que vem sendo utilizada há muito tempo, transborde.
Yamamoto afirma que, a partir de hoje, não será permitida a atividade dos catadores de lixo no aterro. “Para substituir essa atividade, convidamos todos os catadores a aderir ao programa, de coleta seletiva, que vem sendo desenvolvido desde junho do ano passado na região da Vila Nery.” Na ocasião do encontro, o promotor Edward Ferreira Filho deixou claro para os catadores que “desta vez não vai haver mesmo possibilidade de continuarem com a atividade” e dirigiu a eles um apelo para participar da ampliação do programa de coleta seletiva em São Carlos.
De acordo com a secretaria, está previsto um auxílio de R$ 220,00, por três meses, para 29 catadores do aterro sanitário que venham a aderir ao programa de coleta seletiva. Além desse valor, devem receber também uma quota-parte dos recursos gerados pela venda dos materiais recicláveis, estimada em R$ 400,00 para os catadores que atuam na área de Vila Nery.
Risco em dobro
Além da atividade dos catadores estar em desacordo com as normas legais de operação de aterros sanitários, o início de operação da nova célula traz novos problemas. O gerente da Vega, Marcelo Azevedo, explica que “é impossível iniciar a operação mantendo a atividade dos catadores no local, não só pelo risco de comprometer a membrana de proteção colocada sobre o solo, como também pelo próprio risco de acidentes envolvendo os catadores, que nesta fase duplicam”.
O comunicado da interdição do aterro para suas atividades deixou muitos catadores insatisfeitos. Delmiro Gonçalves, 42 anos, há mais de 20 anos “mexendo com lixo, como carroceiro”, e há seis trabalhando no aterro, afirma que o dinheiro obtido através de uma cooperativa será insuficiente para cobrir as suas despesas.
Outros reconhecem que a interdição do lixão para os catadores era algo esperado, como Ruy aparecido da Silva, 51 anos, há oito anos no lixão. Para ele, “já que não tem jeito, é preciso ter esperança na cooperativa”. Mesmo assim, ele se preocupa com a divisão dos resultados, argumentando que todos os dias trabalha das 5h da manhã às 11h, tirando de três a quatro carrinhos de materiais recicláveis. Por isso, ele tem medo de “trabalhar muito para carregar os outros nas costas”. Esse problema, admite, pode ser resolvido pelos próprios cooperados.