10 de julho de 2026
Guerra no Iraque 2003

França pede fim das sanções ao Iraque

Agência Folha
| Tempo de leitura: 3 min

Nova York - O governo francês surpreendeu ontem ao propor o fim imediato das sanções da ONU ao Iraque. Verbalizada pelo embaixador do país na ONU, Jean Marc de la Sabliere, a proposta caminha na mesma direção da idéia lançada há uma semana pelo presidente dos EUA, George W. Bush.

Paris - que tem direito de veto no Conselho de Segurança da ONU- vinha condicionando a suspensão das sanções ao cumprimento da resolução 687 (de 1991), isto é, à verificação, por inspetores da ONU, de que as armas de destruição em massa iraquianas foram eliminadas.

Tais armas, uma das principais motivações da ação militar da coalizão anglo-americana no Iraque, iniciada em 20 de março, ainda não foram encontradas. Ontem, o governo francês deixou de fazer essa exigência.

Sabliere falou em coordenar o trabalho dos inspetores americanos, que já atuam no Iraque, e dos funcionários da ONU, que não têm aval dos EUA para voltar ao país. “Deveria haver algum trabalho no sentido de achar um acordo prático e pragmático”, disse ele após um encontro do Conselho.

Em relação ao programa “Petróleo por Comida”, por meio do qual o Iraque pôde vender petróleo para comprar alimentos e remédios, Sabliere defendeu que ele permanecesse sob controle da ONU, sofrendo alguns ajustes com vista à sua extinção.

O programa é chave para o início do processo de reconstrução. Antes de entrar na reunião, o embaixador francês havia afirmado que a ONU precisa levar em conta a nova realidade no território. O Conselho retomou, a portas fechadas, o debate sobre o Iraque.

Pela manhã, recebeu o chefe dos inspetores de armas da ONU, Hans Blix. À tarde, foi a vez do diretor do programa “Petróleo por Comida”, Benon Sevan. Mas, enquanto o embaixador francês acenava com uma composição em Nova York, o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, fechava, em Washington, as portas para a volta dos inspetores.

“A coalizão tomou a responsabilidade de desmanchar as armas de destruição em massa do Iraque e seus programas de mísseis. Achamos que ela é eficiente.” O embaixador dos EUA na ONU, John Negroponte, confirmou que a volta dos inspetores não é cogitada por Washington.

“Nós vemos isso (a busca pelas armas) como uma atividade da coalizão. Agora que há um ambiente um pouco mais permissivo militarmente, o esforço vai ser substancialmente aumentado.”

Ao menos ontem, o movimento da França não foi acompanhado pela Rússia, sua parceira no bloco que fez oposição aos EUA na escalada para a guerra no Iraque.

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Volta das inspeções

Nova York - O chefe dos inspetores de armas da ONU, Hans Blix, pediu ontem a volta de sua equipe ao Iraque e criticou os argumentos dos EUA para justificar o ataque ao país.

Em sua primeira apresentação ao Conselho de Segurança (CS) desde o início da guerra, em 20 de março, o sueco disse que a procura pelas armas do regime de Saddam Hussein deve ser feita por um grupo da ONU e não por funcionários dos EUA.

Os EUA citavam a suposta existência das armas como motivo para a guerra. “Podemos não ser os únicos no mundo que têm credibilidade, mas acho que temos credibilidade para sermos objetivos e independentes”, afirmou Blix.

Ele buscou, porém, não entrar em rota de conflito com americanos que já estão no Iraque atrás das armas. “Estamos convencidos da determinação dos inspetores que estão lá. Mas ao mesmo tempo também estou convencido de que o mundo e o CS gostariam de uma inspeção independente.”

Blix afirmou que não exclui a possibilidade de cooperação entre a equipe dos EUA e a da ONU. “Minha impressão é a de que o CS está tateando em busca de alguma maneira (de cooperação).” Se foi diplomático com seus colegas inspetores, Blix não poupou os serviços de inteligência.

Ele disse ser “muito, muito perturbador” que eles não tenham conseguido identificar como falsos documentos sugerindo que o Iraque tentara comprar urânio de Níger.