10 de julho de 2026
Guerra no Iraque 2003

EUA iniciam extração de petróleo

Agência Folha
| Tempo de leitura: 3 min

Bagdá - Engenheiros comandados pelos EUA começaram ontem a extrair petróleo no Iraque pela primeira vez desde o início da guerra, no dia 20 de março. Espera-se a retomada rápida da produção, cuja venda, segundo os EUA, ajudará a pagar os custos da reconstrução do país.

A retomada da produção foi marcada por uma cerimônia em um poço próximo à cidade de Basra, no Sul do país, comandada pelo general americano Robert Crear. Diante das câmeras, ele abriu uma torneira e viu o óleo encher uma pequena garrafa plástica. “Agora estamos no negócio de petróleo”, brincou o general. O petróleo extraído ontem ainda não se destinava à exportação. Além disso, foram reativados apenas quatro das centenas de poços ainda parados no país.

A coalizão anglo-americana teve como um dos principais objetivos na guerra proteger os poços de petróleo, temendo que pudessem ser destruídos pelo ex-presidente Saddam Hussein, como ocorreu quando teve suas tropas expulsas do Kuwait, na Guerra do Golfo (91).

Segundo a Corporação de Engenheiros do Exército dos EUA, o petróleo que começou a ser extraído ontem será refinado e distribuído no Sul do país para uso em veículos, usinas de energia e geradores. Crear disse que não é possível ainda saber quando as exportações serão retomadas.

As perdas de petróleo do Iraque - que abriga a segunda maior reserva mundial, atrás somente da Arábia Saudita - reduzem o suprimento para os países importadores, incluindo os EUA, que têm 2% de suas exportações provenientes do país.

Em fevereiro, ainda antes da guerra, o Iraque havia produzido uma média de 2,4 milhões de barris de petróleo por dia, ou cerca de 3% da produção mundial. Mais da metade da produção iraquiana está concentrada na região Sul do país, onde está Basra.

Os campos de petróleo próximos à cidade de Kirkuk, no Norte do país, ainda estão inativos, mas poderiam produzir até 900 mil barris por dia. Para voltar ao nível de produção anterior à guerra, os especialistas estimam que levará pelo menos dois anos, com um investimento entre US$ 3 bilhões e US$ 5 bilhões.

Benefícios

O petróleo extraído ontem foi trazido para tanques de armazenagem próximos a Basra por meio de um oleoduto de 60 quilômetros ao longo do deserto. “Nosso objetivo em restaurar a produção de petróleo é dar os melhores benefícios para a população iraquiana. Isso significa restaurar a infra-estrutura”, afirmou Crear.

Segundo ele, a produção nos campos de petróleo de Rumeila, próximo a Basra, pode chegar a 1,1 milhão de barris por dia num prazo de seis a 15 semanas. Para acelerar a retomada da produção, a Corporação de Engenheiros e sua principal empreiteira contratada, a americana Kellog Brown & Root, já trouxeram de volta ao trabalho cerca de 200 petroleiros da companhia de petróleo do Sul do Iraque.

A companhia empregava mais de 3 mil trabalhadores na região, e a nova administração interina no Iraque pretende chamá-los de volta até o fim da semana. Segundo o Exército americano, 12 poços em Rumeila haviam sido detonados ou incendiados por soldados iraquianos em fuga durante a guerra.

Os incêndios já foram apagados, mas os trabalhadores ainda estão analisando os danos. “Já é uma grande notícia não termos tido 700 ou 1.000 poços incendiados, como temíamos que acontecesse”, disse Crear. “Também não temos petróleo vazando para o golfo Pérsico ou no solo, o que poderia provocar danos ambientais”, afirmou.

Segundo ele, os poços em Kirkuk estariam em estado ainda melhor, apesar dos saques ocorridos na região após a queda do regime do presidente Saddam Hussein. Crear deve visitar a região de Kirkuk ainda nesta semana.