08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Questão de bom senso


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Todos sabemos que um dos grandes problemas do Brasil é a corrupção. Causa prejuízos imensos à nação, envolvendo particularmente a administração pública, em todos os níveis, federal, estadual e municipal. Louvável a reação a essa situação, a partir da pressão popular e das iniciativas dos homens de bem, no campo político, lutando pela moralização.

Não obstante, é preciso cuidado com os excessos. Imperioso evitar a passionalidade, que desemboca na famigerada “caça às bruxas”. Esse arrazoado, prezado leitor, ocorre-me a propósito do vereador José Humberto Santana, na iminência de ser cassado por seus pares, em decorrência de uma viagem a Brasília, onde teria cuidado de assuntos particulares, às expensas da Câmara Municipal.

Não é o que dizem os documentos apresentados, onde está registrado que viajou com autorização do presidente da edilidade bauruense para contatos com uma empresa de Brasília, atendendo a interesses da municipalidade. A própria empresa atesta o fato, em declaração com firma reconhecida.

Os senhores vereadores podem decidir pela cassação, ignorando as provas documentais, o que será lamentável. Quando o bom senso cede lugar à passionalidade, todos saímos perdendo. Isso é próprio das ditaduras, não do regime democrático. Parafraseando Manon Roland, em relação à Revolução Francesa, diríamos: “Oh, moralidade, moralidade! quantas injustiças se cometem em teu nome!” (Richard Simonetti - RG 1.900.869)