A cozinheira Regina Helena dos Santos registrou um boletim de ocorrência por lesão corporal dolosa, na noite de quarta-feira, quando sua filha de 7 anos, Josimara dos Santos Sabino, chegou da escola com um dente quebrado e escoriações no rosto.
A mãe estranhou que a menina não tenha sido socorrida pela direção da escola Iracema de Castro Amarante, na Bela Vista, onde estuda. A direção da escola alega que tentou contato telefônico com a família, mas não conseguiu porque os dados estavam desatualizados.
O acidente aconteceu na quadra da escola, durante o período de aula. Segundo a direção da escola, o acidente ocorreu às 16h30, mas a mãe, conforme consta no BO, diz que foi às 14h30. A criança teria sido empurrada por outras duas e, ao cair, bateu o rosto no chão.
Um dos dentes permanentes da menina quebrou e outros dois ficaram moles, segundo a mãe. “Ela chegou em casa por volta das 18h com o nariz sangrando e com os ferimentos sujos. A dentista informou que a gengiva estava cortada”, relata Regina.
O pedaço do dente quebrado não foi levado pela menina, reclama a mãe. “A direção da escola colocou minha filha no ônibus da prefeitura e ela foi levada para casa. Eu é que fui levá-la ao Pronto Atendimento Infantil. Lá, a dentista falou que, se tivesse levado o pedaço do dente, ele poderia ser recolocado”, explica a mãe.
A responsável pela direção da escola, Sônia Aparecida Vieira, explicou que o acidente aconteceu por volta das 16h30. “Já estava no horário da saída, era a última aula. Nós tentamos fazer contato com a família, mas não conseguimos porque os dados estavam desatualizados. É muito importante que os pais mantenham endereço e telefone atualizados na escola”, ressalta.
Sônia diz que mandou a menina para casa com um bilhete pedindo que a mãe comparecesse à escola no dia seguinte. “Nós não podemos socorrer a criança sem autorização da família”, alega. Ela garante que a dentista da escola vai recuperar o dente da menina. “A dentista não considerou a lesão grave e disse que será feita a reconstrução”, diz.
Quanto aos causadores dos ferimentos, a direção da escola prometeu acionar os pais para que eles tomem providências. O Boletim de Ocorrência registrado no plantão da Delegacia Seccional será encaminhado para a Delegacia de Infância e Juventude (Diju), que deverá apurar o caso.
De acordo com o delegado-titular da Diju, Adib Jorge Filho, o caso pode resultar em duas providências. Uma contra a escola, por não ter socorrido a criança, e outra contra os agressores. “Nós vamos apurar. Eu ainda não tomei conhecimento do caso. Estou falando em tese”, frisa.
O delegado explica que a primeira providência a ser tomada quando uma criança sofre ferimentos no interior do estabelecimento escolar, é o socorro. “A criança deveria ter sido socorrida e no atendimento médico a responsável pela escola poderia ter registrado o fato com a Polícia Militar”, orienta.