Teerã - Em resposta às acusações feitas nos últimos dias pelos EUA de que estaria interferindo na política iraquiana, o governo iraniano negou ontem qualquer envolvimento com recentes protestos antiamericanos no país vizinho.
O Irã afirmou também que as suspeitas sobre o país terminariam se os americanos transferissem para a ONU a responsabilidade de formar um governo interino. “Saudamos a democracia e um governo apoiado pela população do Iraque, mas não apoiaremos um partido específico”, disse chanceler do Irã, Kamal Kharrazi.
A entrevista coletiva foi concedida ao lado do chanceler francês, Dominique de Villepin, que está em viagem pelo Oriente Médio. O ministro disse que os xiitas iraquianos, que têm promovido as maiores manifestações anti-EUA, são “nossos irmãos religiosos”, mas afirmou que o Irã não os incentivará a chegar ao poder.
Os xiitas dominam o Irã, mas no Iraque, onde representam 60% da população, foram perseguidos pelo ex-presidente Saddam Hussein, da minoria sunita do país (20%). Altos funcionários do governo americano, como o general reformado Jay Garner, administrador civil do Iraque, e o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, têm acusado o Irã de estar por trás de manifestações anti-EUA.