Imagine a situação. Você entra em uma concessionária, ou uma garagem, decidido a comprar um automóvel. Já sabe a cor, o modelo, o preço e até mesmo os opcionais que irá escolher. Entretanto, se o vendedor lhe perguntasse sua preferência pela quantidade de válvulas do motor - oito ou 16 -, você responderia de imediato ciente do que essa diferença representaria para o veículo?
Certamente, muitos motoristas não seriam capazes de distinguir as vantagens ou desvantagens de um modelo dotado com motor 8V em relação ao 16V, ou vice-versa. Pois saiba que o número de válvulas de um propulsor pode constituir-se em um item decisivo para decretar a opção pelo automóvel.
O instrutor de mecânica automotiva do Serviço Nacional da Indústria (Senai) de Bauru, Edson da Silva, explica que os motores diferenciam-se, basicamente, na potência e no torque (a força do propulsor). “Teoricamente, em termos de rendimento os 16V são mais potentes e fortes, enquanto os 8V são mais econômicos”, resume.
Além disso, acrescenta Edson, nos 16V precisa-se acelerar mais para obter sua força. “Um 8V sai de uma rampa em hipotéticos 1800 rpm. Para executar a mesma atividade no 16 válvulas, o motorista terá de subir o giro do motor para 2600 rpm. Por esse motivo alguns condutores reclamam que, ao guiar um veículo 16V, este morre ao sair em primeira. Mas é apenas uma questão de costume”, enfatiza ele.
O instrutor do Senai ensina que as válvulas de um carro possuem duas funções primordiais. Aquelas chamadas de admissão permitem a entrada da mistura ar/combustível que originará a combustão, princípio básico do funcionamento do motor. Já as de escape, como o próprio nome dá a pista, expelem os gases resultantes da queima do álcool ou da gasolina.
Ao exemplificar didaticamente o funcionamento dos componentes, Edson compara-os ao de um nariz. Nos 8V a respiração seria feita apenas por uma narina, exigindo mais do diafragma para conduzir o ar até os pulmões. “Já nos de 16 a inspiração seria executada por duas narinas e o ar chegaria mais fácil aos pulmões”, diz ele.
Diante disso, Edson considera que os dois motores possuem vocações distintas, que devem ser levadas em considerações pelos consumidores no ato da compra de um veículo. “Os 8V são melhores para o trânsito urbano, pois nele há muitas rampas e não é preciso imprimir altas velocidades”, conceitua. E acrescenta: “Os de 16 válvulas são mais apropriados para estradas, pois apresentam ótimo rendimento nelas.”
O instrutor, ainda, simplifica seu raciocínio. “Se a pessoa utilizar o automóvel mais nas rodovias deve preferir o 16V; mas se o uso for prioritariamente urbano, a opção deve recair no 8V”, frisa.
Variáveis
Edson destaca que, apesar das diferenças mecânicas, uma série de variáveis também podem influenciar no rendimento e no consumo dos motores 8V e 16V. Entre elas, ele cita o design do veículo, a carga, o desenho da banda de rodagem dos pneus, a geografia do terreno e, principalmente, o modo de condução.
Segundo o instrutor, se dois carros de mesma cilindrada, mas com propulsores de oito e 16 válvulas, rodarem em igual velocidade na mesma pista, o consumo será equivalente, pois se estará exigindo o mesmo esforço do motor. “Entretanto, quando aquelas variáveis se alteram, o gasto de combustível também muda. Dependendo da geografia da rodovia, um auto 8V pode consumir mais que um 16V”, alerta ele.
Edson conclui que, entre todas as variáveis, a maneira de guiar o automóvel é fundamental para se economizar combustível. “Quem pisa mais gasta mais”, finaliza.