07 de julho de 2026
Auto Mercado

O que importa é a beleza interior

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

Na hora de limpar o carro, a maior preocupação sempre é com a aparência externa, principalmente o brilho da pintura. Enquanto isso, a beleza interior do veículo, mesmo sendo o espaço de maior convivência dos motoristas com os automóveis, fica em segundo plano e só é lembrada na hora de transportar eventuais “caronas”.

Para não passar por esse “mico”, é importante destinar atenção especial aos bancos, forrações e tapetes. Mas o primeiro passo nesse caso, segundo Adriano Chies, proprietário de uma empresa especializada em autocapas, é atentar para a composição dos produtos que eventualmente serão utilizados. Os à base de cloro devem ser descartados. “Qualquer revestimento deve ser limpo com detergentes ou sabão neutros”, ensina.

Com esse alerta em mente, Adriano recomenda iniciar a “operação faxina” pelo teto. No entanto, os procedimentos diferem conforme o material de composição do mesmo, plástico ou pré-moldado. No caso do primeiro, o mercado disponibiliza muitos produtos específicos. “Para esses basta um detergente neutro e uma esponja”, resume ele.

A forma de limpar muda se o forro do teto for um pré-moldado, geralmente de tecido claro. Primeiramente escove-o a seco para remover a sujeira pesada e a poeira. Depois, aplique um limpa-tecidos. Entretanto, deve-se tomar cuidado para não forçar durante a escovação, pois são feitos de um material sensível. “Se quebrar, prepare o bolso pois reparar um pré-moldado chega a custar mais de R$ 500,00”, adverte.

Bancos

O próximo “alvo” são os bancos. Com um aspirador e uma escova rígida, deve-se remover a sujeira localizada entre os pêlos e a forração de tecidos dos assentos. Passe o aspirador sobre os bancos a fim de tirar todo o pó e demais detritos.

O acabamento no local pode ser feito com a aplicação, através de uma espuma ou flanela, de uma pasta à base de mentol, glicerina e óleo de eucalipto. “Além de limpar, a pasta deixa um cheiro agradável”, garante o tapeceiro.

No caso das forrações em couro, um pano umidecido com água e detergente neutro é suficiente. Na seqüência, não se esqueça de hidratar o material. “Tem de ser com óleo específico a cada três ou quatro meses”, recomenda Adriano.

Carpetes

Eles merecem atenção redobrada, pois são “agredidos” constantemente pela sujeira dos calçados de motoristas e passageiros. Após aspirá-los e retirar os detritos restantes com uma escova, o ideal é aplicar um limpa-tapetes.

Com uma escova, aplique-o sobre o carpete com movimentos firmes, mas em linha reta. Deixe o carro aberto para facilitar o trabalho, mas evite deixá-lo exposto diretamente ao sol para não provocar o surgimento de manchas.

Outra opção, ainda para os de tecido, é lavá-los, sempre com o tempo firme. Antes disso, aconselha Adriano, o ideal é pendurá-los e, sem dó, aplicar-lhes uma “surra”. “O ideal é bater neles a fim de remover a maior quantidade possível de pó e terra. Depois é só jogar água e deixá-los secando pendurados”, explica. “Entretanto, muitos carpetes, quando lavados, costumam encolher, em média, entre dois e cinco centímetros.”

Já os de borracha são mais fáceis de limpar. Lave-os com sabão ou detergente neutro utilizando uma escova. Alguns podem receber também produtos para dar brilho, mas, a exemplo do silicone no painel, a recomendação é não abusar da quantidade para não deixá-los escorregadios.

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Painel e vidros

Depois de limpo bancos e carpetes, é a vez do painel de instrumentos. Com um pincel pequeno e seco, remova a poeira localizada nos vãos, incluindo as alavancas da coluna de direção, grades de ventilação, espaços entre os botões do controle do ar-condicionado, faróis, rádio, etc. Essa limpeza detalhada vale, ainda, para todo o interior, como cantos de janela e locais de difícil acesso.

Feito isso, as próximas tarefas diferenciam-se pela tonalidade do painel. Se for claro, a limpeza pode ser feita com o mesmo produto empregado para o teto forrado em plástico. Basta aplicá-lo e retirar o excesso posteriormente com um pano úmido. Mas se o plástico for escuro, o melhor é passar um pano úmido com detergente.

Para concluir o serviço, aplique silicone em sua superfície, que o protegerá contra a ação dos raios solares e colaborará para evitar o aparecimento de rachaduras e descoramento. “Mas não exagere na dose, pois poderá refletir a luz solar e colocar em risco a segurança do condutor”, alerta Adriano.

Na limpeza dos vidros alguns macetes ajudam. Com um pano embebido em álcool ou produtos específicos, higienize a superfície. Como o álcool geralmente deixa marcas, estas devem ser retiradas posteriormente.

Um cuidado extra é utilizar panos limpos e livres de gordura. Para o acabamento nos vidros, o polimento final deve ser feito com uma folha de jornal ou toalha de papel levemente amassada.

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Praticidade x Vontade

Na hora de limpar o carro, principalmente em seu interior, há os que se dividam entre a praticidade dos lava-rápidos e a vontade de fazer tudo sozinho.

Apesar de já ter levado várias vezes seu Gol em estabelecimentos especializados na limpeza automotiva, o aposentado Edvilson Flávio Monari garante ser um daqueles que adoram colocar a “mão na massa”. “O duro é ter coragem para essa tarefa”, confessa.

Mas nas oportunidades em que o ânimo surge, Edvilson adota o aspirador como equipamento preferido para realizar a higiene no habitáculo de seu veículo. “Quando pego para limpá-lo, capricho e lustro até as calotas”, garante ele.

O aposentado considera, ainda, que os homens são mais cuidadosos que as mulheres quando o assunto é a limpeza interior dos autos. “Mas o homem sem elas não são nada”, apressa-se em dizer Edvilson.

Opinião diferente sobre a questão tem a bauruense Edna Lourenço Metzler. Para ela, a ala feminina é quem mais se preocupa com a aparência interna dos automóveis. “As mulheres atentam mais para esses detalhes. Eu, por exemplo, sempre coloco sacolinhas para juntar o lixo que carregamos para dentro do carro”, ressalta.

Definindo-se como uma pessoa prática, Edna conta que manda lavar seu veículo semanalmente. Apesar disso, não reclama e revela gostar quando “bate” a vontade de limpá-lo. “Já perdi a conta de quantas vezes passei o aspirador por dentro, produtos no painel e até pretinho nos pneus”, conclui ela.