08 de julho de 2026
Gastronomia

Doces portugueses

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 6 min

Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil com açúcar e com afeto. Segundo os historiadores, assim que desembarcou na então Terra de Santa Cruz, foi tratando de apaziguar os índios com doces portugueses estrategicamente acondicionados nas naus que partiram de Lisboa em busca de tesouros além mar.

Os figos passados, confeitos e os fartéis fizeram o maior sucesso junto à moçada sarada e bronzeada que habitava as praias baianas, da Costa do Descobrimento. Os primeiros docinhos vieram prontos de Portugal, mas o farto, um bolo típico do interior, foi preparado a bordo mesmo. Prova sacramentada há 500 anos, de que com jeitinho, a doceria portuguesa poderia ser incorporada aos hábitos brasileiros, bastando um pequeno esforço dos tupiniquins, cafuzos e caboclos para o remexer dos ovos e do açúcar.

O farto, que é servido nas grandes comemorações portuguesas, incluindo casamentos, noivados e grandes recepções, no Brasil tinha como função primordial saudar os nativos. Representava, portanto, a solidariedade humana.

O historiador Luís Câmara Cascudo, na obra “História da Alimentação no Brasil”, destaca que o presente oferecido aos índios no dia 22 de abril de 1500, foi prova de alta distinção. Oferendas à parte, o importante é que o hábito se incorporou na vida brasileira, tornando a doçaria nacional tão boa quanto à da terrinha. Viva a ascendência portuguesa!

Ovos moles de aveiro

(10 porções)

3 xícaras de água 1/2 xícara de arroz cateto 2 xícaras de açúcar 1/2 colher (sopa) de manteiga 15 gemas passadas por peneira 1/2 colher (sopa) de essência de baunilha Canela em pó para polvilhar

Leve ao fogo uma panela média com a água e o arroz, deixe ferver, cozinhe por 15 minutos, escorra e reserve a água do cozimento.

Meça 1 1/2 xícara da água reservada, junte o açúcar e leve ao fogo numa panela pequena de fundo reforçado, mexendo sempre, até o açúcar se dissolver. Pare de mexer e deixe ferver até obter o ponto de fio. Tire do fogo, junte a manteiga, não mexa e deixe amornar. Junte as gemas, misture bem e leve ao fogo brando, mexendo sempre e delicadamente com uma espátula de madeira, até obter um creme macio e pastoso. Tire do fogo, acrescente a baunilha e distribua entre potinhos ou xícaras de café. Deixe esfriar. Se quiser, polvilhe com canela em pó.

Quindão

(10 porções)

12 gemas 3 claras 500 g de açúcar cristal 1 colher (sopa) de manteiga 200 g de coco fresco ralado Manteiga para untar a fôrma Açúcar cristal para polvilhar a fôrma

Passe as gemas por uma peneira e misture-as com as claras e o açúcar. Adicione a manteiga, o coco ralado e torne a misturar.

Unte com manteiga uma fôrma de aproximadamente 16 cm de diâmetro. Polvilhe com açúcar e coloque a massa.

Disponha a fôrma sobre uma assadeira com água fervente e asse em banho-maria ( em forno quente previamente aquecido) por 1 hora. Retire do forno, deixe esfriar e desenforme.

Leite creme

(oito porções)

10 gemas 1 xícara de açúcar 4 xícaras (960 ml) de leite fervente 1 colher (chá) de essência de baunilha

Ponha as gemas na tigela da batedeira com 3/4 do açúcar. Bata até obter uma mistura esbranquiçada e fofa. Junte o leite e misture até ficar homogêneo. Leve ao fogo, em banho-maria e cozinhe, mexendo com uma espátula de madeira, por 30 minutos ou até engrossar.

Tire do fogo, passe para o prato de servir e deixe esfriar. Cubra com filme plástico e leve à geladeira por 3 horas ou até ficar ligeiramente firme.

Aqueça o grill dourador do forno. Tire o doce da geladeira, elimine o filme plástico e polvilhe com o açúcar restante. Leve ao forno para queimar o açúcar. Retire e sirva.

Cocada de fita

(12 porções)

1 coco inteiro 250 g de açúcar refinado 300 ml de água

Serre a casca do coco ou leve-o inteiro ao forno até que se quebre. Escorra bem o líquido. descasque o coco cuidadosamente, separando bem a casca da polpa.

Passe o coco num ralador de batata palha para obter as fitas (se preferir, corte as fitas com a pele do coco). Separe as fitas em quatro porções.

Para a calda, misture a água e o açúcar numa panela de boca larga. Em fogo médio, deixe a calda engrossar.

Adicione as fitas de coco em porções e deixe por 5 a 8 minutos até a calda ficar em ponto de fio. Retire as fitas de coco do fogo e monte as flores com as fitas ainda mornas. Deixe esfriar.

Queijadinhas de Sintra

(24 doces)

Massa

1 2/3 xícara (250 g) de farinha de trigo 1 colher (sopa) de manteiga 1 pitada de sal 1/2 xícara de água morna

Recheio

1 1/2 xícara de água 2 xícaras de açúcar 1 1/2 xícara (210 g) de queijo de minas fresco, esfarelado com um garfo 8 gemas passadas pela peneira 1 xícara de coco fresco, ralado fino 1/2 colher (chá) de canela em pó 1 colher (sopa) de farinha de trigo

Numa tigela ponha a farinha, a manteiga e o sal. Junte a água aos poucos e vá mexendo com as mãos, até obter uma massa homogênea. Embrulhe a massa obtida num filme plástico e reserve enquanto prepara o recheio.

Leve ao fogo uma panela média com a água e o açúcar, mexendo até dissolver. pare de mexer e deixe chegar ao ponto de fio. Tire do fogo e deixe esfriar. Junte o queijo, as gemas, o coco, a canela, a farinha e mexa bem.

Unte com a manteiga 24 forminhas caneladas. Aqueça o forno em temperatura média. Sobre uma superfície enfarinhada, abra a massa com o rolo, até obter a espessura de 3 milímetros.

Recorte os discos com 8,5 cm de diâmetro e forre as forminhas. recorte as sobras da massa, junte-as e abra novamente para repetir a operação e forrar todas as forminhas.

Divida o recheio reservado entre as forminhas já forradas e coloque-as em assadeiras. Leve ao forno preaquecido por 40 minutos, ou até assar e dourar.

Barriga de freira

1 xícara de água 1 1/2 xícara de açúcar 3 ovos 5 gemas 3 xícaras (130 g ou 9 fatias) de pão de forma sem casca, esfarelado Manteiga para untar 1 xícara (300 g) de fondant (compra em padarias) 2 colheres (sopa) de água 200 g de fios de ovos para decorar

Leve uma panela média ao fogo alto com a água e o açúcar, até dissolver bem. Pare de mexer e deixe ferver até chegar ao ponto de fio.

Passe os ovos e as gemas por uma peneira e misture com o pão esfarelado. Junte à calda, misture e coloque numa frigideira antiaderente de 25 cm de diâmetro, untada com manteiga.

Leve ao fogo brando até dourar a parte de baixo, tomando cuidado para não queimar, levantando as bordas com uma espátula. Com a ajuda de um prato ou de uma tampa, vire para dourar do outro lado, como se fosse uma panqueca.

Vire o doce num prato de servir e deixe esfriar.

Derreta o fondant no banho-maria, junte a água e misture bem. Espalhe o fondant quente sobre o doce de uma maneira uniforme, deixe secar e contorne a “ barriga” com fios de ovos.