07 de julho de 2026
Regional

Botucatu quer conter avanço da dengue

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - Com cinco casos autóctones (contraídos na própria cidade) de dengue, confirmados no mês de abril, a Secretaria Municipal de Saúde de Botucatu (100 quilômetros a Sudeste de Bauru) endureceu as medidas de combate aos criadouros do mosquito transmissor Aedes aegypti no município. Anteontem, a prefeitura publicou uma portaria que autoriza os agentes da Vigilância Epidemiológica a ingressar nos imóveis onde houver risco de proliferação do mosquito, em caso de paradeiro desconhecido do morador ou proprietário do imóvel.

Segundo a portaria, nas situações de não autorização da entrada dos agentes, os responsáveis pelo imóvel estarão incorrendo em crime contra a Saúde Pública, podendo pegar de um mês a um ano de detenção, mais multa. Em se tratando de funcionário da área de saúde, a pena pode dobrar.

O município de Botucatu confirmou ao todo nove casos de dengue no ano, sendo cinco autóctones registrados em abril no Parque Marajoara. “Foi a partir de um caso importado que a gente passou a ter a transmissão dentro desse bairro”, explica a coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Mara Silvia Carmello.

Segundo a coordenadora, a portaria visa intensificar o combate aos criadouros, facilitando a realização de bloqueios nos imóveis que apresentem grande quantidade de recipientes em condições favoráveis à proliferação de larvas de Aedes. “A nossa intenção é quebrar a cadeia de transmissão.”

De acordo com a coordenadora, atualmente, na maioria das casas os agentes conseguem fazer a intervenção, entretanto existem algumas situações problemáticas, como as de imóveis fechados ou abandonados e de moradores que apresentam resistência ao bloqueio. “A gente não pode abrir (a casa), mesmo que ela esteja abandonada e ir entrando. A gente sempre precisou de um amparo legal para isso. E o que a gente quer com essa medida é esse amparo legal para que facilite o nosso trabalho.”

A coordenadora ressalta a necessidade da população colaborar no combate à proliferação dos criadouros. “O mosquito tem o hábito doméstico e os maiores criadouros estão dentro das residências”, afirma.

O último caso positivo de dengue na cidade, de cerca de 110 mil habitantes, foi registrado na semana passada.

Epidemia

Em 2001, Botucatu não registrou casos autóctones de dengue e no ano passado foram contabilizados apenas dois. Contrariando a média, neste mês, a cidade somou cinco registros autóctones da doença, o que despertou a necessidade do município recrudescer as ações de combate ao mosquito.

Segundo o vice-prefeito do município e secretário municipal da Saúde, Valdemar Pereira de Pinho, a situação atual pode ser considerada tecnicamente como uma epidemia. Isso porque no mês de abril a cidade teve um desvio na média de casos registrado nos últimos anos. “Você tem um número de casos histórico e faz uma média mensal dos últimos cinco anos. Por essa média você traça um diagrama de controle”, explica.

Apesar disso, Pereira afirma que a situação não é alarmante já que o foco de proliferação concentrou-se em apenas um bairro da cidade. “Ele não é tão alarmante porque não é disseminado. Seria pior se fosse um caso em cada região do município, por exemplo.”

O secretário afirma que a cidade está realizando um “pente-fino” nas possíveis áreas de proliferação de criadouros como borracharias, ferro-velho, terrenos baldios abandonados, entre outros, com o objetivo de estagnar o crescimento dos casos.

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Maior número

Na região da Diretoria Regional de Saúde de Botucatu (DIR-XI), que abrange 31 municípios, foram registrados ao todo 16 casos de dengue neste ano, sendo onze importados e cinco autóctones.

Segundo a diretora técnica da DIR-XI, Fátima Maria Padovani, Botucatu é a cidade que concentra o maior número de casos e a única a ter registros autóctones.

Em relação aos casos importados, além dos quatro de Botucatu, a DIR-XI confirmou em 2003 três registros em Avaré, um em Bofete, dois em Pardinho e um em Paranapanema.

Apesar dos cinco casos autóctones registrados em Botucatu, a diretora afirma que a situação do município está sob controle e já foram realizadas várias intervenções nos focos de proliferação.