Os homens andam dizendo por aí que também fingem orgasmo. Será que é possível?
Uma pesquisa realizada na Inglaterra realizada com 2.500 homens mostra que quase um quarto dos entrevistados revelam já ter encenado na cama e já começam a procurar ajuda. Os motivos são os mais variados: seja por pressão social, para contar vantagem ou esconder o medo de falhar.
Teatrais por natureza, os brasileiros devem representar, e muito! Mas será que os machões e machistas não sentem muita dificuldade em assumir?
Outros mais “desencanados” chegam a afirmar que existem técnicas para fingir orgasmo. Com o uso da camisinha, por exemplo, o homem não precisa nem ejacular. Basta ficar um momento sozinho para retirar o preservativo e, segundo eles, a mulher nem percebe que ele não sentiu prazer.
O fingimento do orgasmo pode estar atrelado ao aumento de expectativas do sexo feminino. A liberdade sexual da mulher moderna faz com que os homens sintam o peso de não serem mais os únicos e temem a rejeição e, principalmente, as comparações.
O fato de não conseguirem corresponder ao bis pedido pela mulher ou “dar a segunda”, como eles dizem, tem levado muitos homens ao consultórios de médicos e psicólogos.
O urologista Aguinaldo Nardi confirma a busca por essa perfomance. Mas alerta aos homens que isso não é uma anormalidade. “A maioria dos homens tem uma ereção só. Não há nenhuma necessidade de haver uma segunda ou terceira vez. Até mesmo porque elas precisam de estímulo ainda maior. Mesmo com Viagra e outras drogas, o homem precisa ser estimulado sexualmente.”
Por isso, quando questionado sobre a veracidade de que os homens fingem o orgasmo, o médico é categórico: “É mentira!.”
Nardi explica que o homem tem o orgasmo muito próximo da ejaculação, é uma imagem só. Porém, observa que mesmo os pacientes que se submeteram a cirurgias radicais de câncer de próstata e não têm mais ejaculação, continuam tendo prazer.
“Este é um exemplo nítido de que ejaculação é uma coisa e orgasmo é outra, mas na maioria dos homens isso é imperceptível. Então, é impossível um cara ficar imitando um orgasmo.”
Pelo próprio comportamento e cultura do brasileiro, o urologista aponta que homem não consegue nem ter ereção, que ocorre através de estímulos tátil, olfatório, visual e até de pensamento. Eles liberam substâncias que ao caírem na corrente sangüínea, estimulam a medula e vão até ao corpo do pênis, que por sua vez, cheio de sangue, fica ereto.
“Se o homem está preparado para fingir um orgasmo ele não terá nem ereção. Seus estímulos estarão inibidos no cérebro. Se ele tiver medo, por exemplo, vai perder a ereção. Basta estar num carro com uma mulher e ser flagrado, que o homem perde ereção. Se um dos filhos abrir a porta do quarto no momento da relação também. E se estiver muito preocupado também não vai conseguir nada.”
O fingir o orgasmo pode denotar um desvio do comportamento sexual, que pode fazer com que o indivíduo busque drogas para se manter ativo. Caso contrário, será difícil “comparecer”.
A única resposta para o fingimento seria a perda do interesse e a conseqüente perda da ereção e antes que o pior aconteça, o homem faça cena e “pule fora”.
É uma questão de comportamento e não de mecanismos sexuais, aponta o médico.
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Na hora H
Em pleno feriado, lancei a pergunta: “Algum de vocês já fingiu um orgasmo? ” num chat nas salas de bate-papo com homens à caça, na faixa dos 30 a 50 anos. Entre piadas, negativas e sacanagem, obtive bem poucas respostas para uma conversa anônima e reservada:
“A igualdade de direitos também chegou ao sexo. Se elas fingem porque é que os homens não devem pagar na mesma moeda?”
“Bastam alguns gemidos para não dar na cara que não foi legal”.
“Faço uma vez, mas finjo a segunda e a terceira. Posso dar mais de uma, mas na verdade dei uma só.”
“Já tive um orgasmo meia-boca e disse que foi o máximo!”
“Quando uma mulher não sabe nada, não te excita e vai ser difícil chegar lá, por que não fingir e acabar logo com o assunto sem ter que dar muitas explicações?”
“Essa é boa! Moça, homem quando goza não tem como esconder, viu?”
“Já parou para pensar que se eu tiver de camisinha e você de olhos vendados não vai saber se cheguei ou não.”
“Não finjo. Mas acontece muito de eu sentir o orgasmo e não ejacular. É preciso ter um grande controle e isso só com prática. Vocês mulheres acham que o homem só tem prazer se ejacular.”
“Se o objetivo é impressionar, você pode fingir, mas tem que dar a ela vários orgasmos. Você ganha a mulher e o Oscar.”
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Sartre admitiu
O fingimento já é assunto comum nas rodas de conversa masculinas. Mas ninguém admite viver a situação. É sempre um amigo que conhece um cara que foi até o fim e disse que não foi bom.
Entretanto, um dos grandes garanhões e intelectuais do século passado, o filósofo Jean Paul Sartre revelou no fim da vida numa entrevista à companheira Simone de Beauvoir, publicada no livro “A Cerimônia do Adeus”, que nunca tinha sentido um orgasmo.
Isso de uma homem extremamente intelectualizado numa época muito diferente. Mas só o fato de Sartre ter assumido essa incapacidade já representa, mesmo que sem tempo hábil, uma mudança. Admite-se não querer apenas uma performance, mas sim a obtenção de prazer.
Entretanto, sexólogos apontam que a maioria dos homens ainda leva no mínimo dois anos de vida sexual infeliz até procurar ajuda de fato. Antes disso, tentam simpatia, catuaba, amendoim, viagra e todo tipo de afrodisíaco.