07 de julho de 2026
Ser

Minha história


| Tempo de leitura: 2 min

Tudo começou no mês de julho de 2002, quando eu o vi pela primeira vez. Foi no ponto de ônibus. Ele trabalhava perto do meu serviço e pegávamos o ônibus juntos. Sem perceber me apaixonei por ele. Queria me abrir. Mas a minha timidez é mais forte. Um dia, umas moedas minhas caíram no chão do ônibus e ele pegou para mim. Quando peguei as moedas da mão dele, o meu corpo gelou inteiro. Não consegui nem falar obrigado.

No dia 24/1/03, eu escrevi um bilhete anônimo e mandei uma moça entregar para ele. No bilhete, dizia que queria conhecê-lo e pedi para ele me ligar. Só que eu dei o número de um orelhão perto da casa da minha tia, porque naquele dia eu estaria lá. Fiquei esperando sem saber se ele iria ou não ligar. Ele ligou curioso para saber quem era. Eu expliquei: sou aquela moça que você pegou as moedas no ônibus. Aí ele lembrou.

Ele não se decepcionou. Disse que queria me ver pessoalmente e que queria experimentar o meu beijo. Marcamos um encontro. Mas no dia e hora do encontro estava chovendo. Eu fui como uma louca. Mas ele não foi.

No outro dia voltei a vê-lo. No mesmo horário de sempre, no ponto de ônibus. Deixei no gelo. Eu percebi que ele me olhava muito. Mas não tive coragem de falar com ele. Não de raiva. O que eu mais queria era conversar com ele. Mas não conseguia. Os olhos dele diziam que ele queria tanto quanto eu. Mas porque ele não chegava em mim? Será que ele pensou que eu estava com raiva dele ter me feito esperar e dar um fora? Nunca que eu ia fazer isso.

Já faz mais de um mês que eu não o vejo. Acho que nunca mais vou ver. Agora que ele mudou de serviço, tudo que sei é que mora no parque Roosevelt. Não tenho nenhuma pista para achá-lo. Mas também não sei se ele quer ser achado por mim.

Daniel, se você estiver lendo vai saber quem sou. Saiba que você não sai da minha cabeça, nem um minuto.

Quem conhecer o Daniel, ele tem uma tatuagem em cada lado do ombro, mostre essa carta para ele, para que saiba que tem alguém que o ama.

Acho que você não lembra de mim. Eu não sei se vou conseguir te esquecer. Hoje tenho raiva de mim mesma, da minha covardia de não ter ao menos tentado.

Desculpa pela minha loucura. Esse foi o único jeito de você saber tudo que sinto.

(Obs. Continuo vendo aquele moço que lhe entregou o bilhete.)

Um beijo que gostaria de dar pessoalmente de sua sempre admiradora, C...