09 de julho de 2026
JC Criança

Investir em crianças e adolescentes dá certo!

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 3 min

Crianças e adolescentes que participam de projetos especiais relatam as experiências e transformações em suas vidas. É gostoso ver como é possível oferecer novas perspectivas a crianças e adolescentes que não tiveram acesso aos meios culturais aproveitando de uma boa idéia, alguns investimentos e pessoas dedicadas e apaixonadas pelo que fazem.

Em Bauru, uma iniciativa que deu certo é o coral da Unimed. Implantado há seis anos, o coro começou com crianças com idade entre 7 e 12 anos, na Vila São Paulo. A Regina Damiati, regente do coral, apresentou o projeto de coral infantil para a empresa, que analisou e abraçou a idéia. “Visitei mais de 20 bairros de periferia para a implantação. Queríamos um local que tivesse a necessidade, mas sem envolvimentos políticos ou religiosos”, explica a assistente social Fátima Regina Viscelli, gerente de atendimento da Unimed de Bauru.

A Vila São Paulo foi escolhida para acolher o coral. “No primeiro dia, o presidente da Associação de Moradores, seu Cícero, reuniu mais de 100 crianças interessadas. Desse total, 40 foram para o coral.”

Os encontros começaram aos sábados pela manhã. A paixão da regente pelas crianças foi imediata. “Não é só o ensino de música. É a relação que criamos com os alunos. Eu também aprendo com eles”, comenta Regina.

As crianças foram crescendo, conhecendo um mundo novo, viajando para apresentações, sendo respeitadas e aplaudidas de pé. A Unimed, empresa madrinha do coral, oferece a cada aluno uma cesta básica e assistência médica integral. “No começo, eles não recebiam nada. Depois incluímos a cesta e na seqüência o plano de saúde”, explica Fátima.

“Quando a gente cresceu, seríamos substituídos por outras crianças. Foi uma tristeza só no coral”, contam as meninas do coral. No ano passado, em uma apresentação para a própria Unimed, os jovens, que agora têm idade entre 12 e 19 anos, recebeu a boa notícia. “A Unimed vai manter o coro jovem, falou no microfone um representante da empresa. Foi uma alegria geral”, lembram.

Mãe da música

A regente Regina Damiati é muito amada pelos jovens coralistas e considerada uma superamiga. “A Regina não é brava, é exigente”, conta Ana Paula da Silva, agora com 18 anos, mas entrou no coral desde o início, aos 12 anos.

Ela conta que começou a ter mais responsabilidade a partir do coral. “Também fiquei mais delicada, aumentou meu interesse pela música.”

Juliana Moreira, 15 anos e há 2 no coral, tinha vergonha, mas queria participar. “Eu ia nos ensaios, ficava assistindo, até que surgiu uma vaga.”

Aliás, perseverança é marca desses coralistas. Vanessa Peres, 17 anos, começou aos 11 no coral e hoje faz faculdade de educação musical e pretende seguir carreira na área. “Quero ser regente”, conta a jovem. Ela também é a pianista do Coral Infantil da Unimed - é isso mesmo, a empresa montou mais um coro com crianças, no mesmo bairro - o que aprendeu demonstrando interesse e dedicação.

“No intervalo dos ensaios, a Vanessa ficava brincando no teclado. Um dia, percebi ela tocando uma música inteira. Comecei a dar aulas de piano para ela. Em um ano, Vanessa fez um curso de três”, lembra, orgulhosa, a regente.

Para Vanessa, Regina é sua “mãe na música” e agradece a ela e à Unimed Bauru a oportunidade de mergulhar nesse universo. “Quero trabalhar com crianças, ensinar. Eu estou sendo contratada por duas escolas para dar musicalização infantil. Vou me dedicar e isso também ajudará a pagar a faculdade”, diz Vanessa.

Douglas José Pereira, 17 anos, também está no coral da Unimed desde o primeiro dia. “É uma cultura que a gente adquire. Antes eu não ouvia música clássica, era só samba, agora não. Tenho outros interesses musicais”, conta o rapaz, que entrou no coral aos 11 anos.

Luiz Antonio de Almeida, 16 anos, também é outro apaixonado pelo coral.”Estou há 3 anos e nem penso em parar. Antes eu só jogava bola. Eu não sei o que seria da gente se não tivesse esse contato com o coral, do jeito que tá esse mundo”, salienta Luiz.

Ele acha que outras iniciativas como essa deveriam acontecer. “É muito importante, melhora o nosso relacionamento com a família, com os amigos. É muito bom!”