A superpoderosa Terra, que se oferece gratuitamente à imensa humanidade para que venha ao mundo, coloque os pés sobre o seu divino solo e saia andando até onde suas pernas alcançarem, aniversariou neste glorioso abril-2003. Quantos se lembraram disso? Bem poucos, porque provavelmente apenas alguns soubessem do acontecimento e até pudessem ser capazes de dirigir ao dia 22/04 uma saudação especial, repetindo então aquela do nobre escritor que, lápis entre dois dedos das mãos, papel limpinho sobre a mesa da escrivaninha e o pensamento agitando seu inventivo cérebro, abriu amplas asas à sua imaginação e se inspirou para uma rápida poesia louvando o chão dadivoso que deu início a este fabuloso universo. Lembramos muito bem o que ele escreveu. Ei-lo: “A Terra amanheceu cantando/ Toda a floresta apareceu em flor/ A passarada sai pra rua em bando/ Porque a Terra é o berço do amor!”.
Seria muito natural que hosanas, muitas hosanas, viessem a ser tecidas por todos os poetas do mundo e lançadas aos ouvidos da Terra, premiando-a pela importância que ela inegavelmente tem na existência de todos os seres humanos, das aves voadoras e das verdes vegetações das florestas, sem o que ninguém conseguiria subsistir. Por que todos dependem do solo assim inequivocamente? Explica-o expressamente a destinação que o seu Criador lhe deu, desde o nascedouro, ao plasmá-la com a sagrada atribuição de dar a largada dos planetas, impulsionando-os para frente, dizendo: “Que a Terra produza ervas com suas sementes/ Que ela dê origem a seres vivos/ Que as aves voem entre ela e o firmamento/ Que, finalmente, os humanos transitem livremente em seus caminhos, ajudando aos seus leais irmãos!” Eis porque todos a observam superando resolutamente as pesadas mulharas do tempo que não acaba. Quantos anos vai acontecer isso? Cinco milhões, dez, cinqüenta ou cem, infinitamente? Ninguém o sabe porque a bela menina de Deus apenas sorri com o vento e chora com a chuva, não emitindo sons diferentes para despertar a consideração dos que a vêem assim de aparência estática mas preenchendo o universo sem parar um instante sequer, promovendo o desenvolvimento de seus habitantes, que à noite deitam em seu cômodo berço e adormecem tranqüilamente, esperando que a sua hora final aconteça e sonhando com “um pássaro que suavemente os conduza através do bosque e do mar da alegria”, como profeticamente prognosticou o mestre Tagore. Feliz aniversário, querida amiga, sem mais guerra para martirizá-la como agora. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)